Euro 2016

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O selecionador húngaro a fazer-se de difícil: "Vocês são muito bisbilhoteiros"

Bernd Storck não quis falar sobre a estratégia nem sobre os titulares da Hungria para o jogo contra Portugal, mas uma coisa é certa: os húngaros vão apostar tudo numa "defesa compacta"

O alemão Bernd Storck, 53 anos, qualificou a Hungria para o Euro-2016

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Não é que os alemães sejam propriamente conhecidos pela sua efusividade, mas Bernd Storck mostrou esta tarde, na conferência de imprensa do Portugal-Hungria, que como bom treinador alemão que é não se desvia um milímetro daquilo que é o seu modo de estar - dele e da atual seleção húngara: disciplina, dureza, concentração e abnegação.

"Vocês são muito bisbilhoteiros", desabafou, com um dos poucos sorrisos que mostrou em Lyon. "Já lhes disse que não vou falar nem sobre a nossa estratégia para o jogo de amanhã nem sobre os titulares que irei escolher. O que sei é que vamos jogar contra alguns dos melhores jogadores do mundo", disse aos jornalistas, depois de ser questionado sobre um pormenor importante que os húngaros dizem que pode mudar a abordagem do jogo de amanhã.

É que se a Hungria já estiver matematicamente qualificada quando entrar para o jogo (o que irá depender das partidas de hoje), é possível que alguns dos titulares possam ficar a descansar para os oitavos de final. Mas Storck não quis admiti-lo - apesar de ter deixado escapar que pensou nisso -, nem sequer falar do que significa para o país passar aos oitavos de final de uma prova que já não disputava há 44 anos. "Ainda não está feito, por isso não vou dizer nada sobre isso. Quero que a minha equipa se concentre no jogo e só isso me interessa agora", explicou.

"Quem pensaria que antes deste jogo estaríamos em 1º lugar com quatro pontos e que seria Portugal a equipa obrigada a vencer? É uma grande surpresa e nem sei como elogiar a minha equipa", disse o ex-jogador do Borussia de Dortmund, selecionador húngaro desde o ano passado. "Queremos jogar como temos jogado, com uma defesa muito organizada e disciplinada. Sabemos que nos vão pôr muita pressão, mas para nós é uma grande oportunidade jogar contra alguns dos melhores do mundo e só temos de aproveitar".

Por falar em melhores do mundo... "Estão sempre a perguntar pelo Ronaldo, mas ele não é o único jogador de nível mundial na seleção portuguesa. Há outros que ganharam a Liga dos Campeões e ajudaram a qualificar a seleção com sete vitórias consecutivas. Por isso digo que temos de ter uma defesa muito compacta e sermos muito corajosos, não quero ninguém com medo."

Ainda assim, o avançado Gergö Lovrencsics (diga lá este nome três vezes seguidas) tem medo que Ronaldo comece a marcar amanhã. "Espero bem que ele não comece a marcar agora", respondeu, questionado por um jornalista húngaro sobre a falta de golos do avançado português. "Sabemos que é o jogador mais perigoso e não acontece todos os dias jogar contra alguém deste calibre, mas Portugal tem uma equipa de classe mundial. Penso que temos um antídoto para controlá-los e veremos amanhã se funciona", acrescentou.

Ao contrário do selecionador, Lovrencsics admitiu que, se os húngaros já estiverem qualificados para os oitavos de final antes de começar o jogo, as coisas podem mudar. "Penso que se isso ficar claro será tudo diferente. Mas, seja como for, vai ser um jogo intenso e é importante para nós não deixar fugir o primeiro lugar".

Krisztián Németh, avançado treinado pelo português Pedro Caixinha no Al-Gharafa do Qatar - "por acaso falei com ele hoje e deu-me os parabéns pelo que estamos a fazer" -, também admite que o jogo de amanhã pode acabar por ser mais relaxado do que o previsto, pelo menos para os húngaros. "Se calhar contra Portugal vamos estar só a discutir o lugar no grupo, vamos ver. O nosso objetivo desde o início é passar aos oitavos de final", disse, rejeitando algum tipo de pressão pela história da seleção magiar no futebol mundial. "Não me parece que seja uma pressão negativa. Os outros jogadores fizeram parte da melhor equipa do mundo e temos noção disso, mas não é útil fazer comparações. É um orgulho ter este brasão ao peito e estamos no bom caminho e podemos ter um futuro risonho".