Euro 2016

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Na gaveta

O mais provável é este jogo ser fraquinho

Hoje que começa o Euro, o "Na Gaveta" recupera aqui os encontros de abertura de Europeus e faz um prognóstico: o França-Roménia não será um jogaço

Adriano Nobre

Se quiser perceber porque é que o Karagounis aparece aqui, o melhor é ler

Foto LLUIS GENE/Getty

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E então começa hoje. 20H00, arredores de Paris, Stade de France a abarrotar, França e Roménia alinhadas, hinos a tocar, cumprimentos entre jogadores, escolha de campo, apito do árbitro, bola a rolar, adeptos ao rubro nas bancadas. Nós em casa, um bocadinho menos ao rubro mas curiosos, de cerveja na mão, olhos no televisor, prontos para mais um jogo inaugural de um Europeu de Futebol. “Acima disto não há nada”, dirá Freitas Lobo. Mas o mais provável é que o jogo seja uma seca.

Não é má vontade, epifania a la Zandinga ou descrença nos méritos de Antoine Griezmann e Bogdan Stancu. Não é sequer pela constatação de que que a Roménia foi a defesa menos batida da fase de qualificação – apenas dois (2!) golos sofridos em 10 jogos – e que a França não terá Benzema para abre latas no ataque. A história e a estatística dos Europeus é que nos empurram para um boletim meteorológico com forte probabilidade de bocejos no jogo desta noite.

Se não, vejamos: desde que as fases finais dos Campeonatos da Europa são disputadas com fase de grupos – ou seja, desde 1980 – os nove jogos inaugurais da prova geraram um total de 16 golos. O que perfaz uma média de 1,7 golos por jogo. Apenas em duas ocasiões houve o anémico recorde de três golos. Num deles, claro, tinha dos calhar a fava: 1-2 no Estádio do Dragão contra a Grécia.

Como se não bastasse a tradicional míngua de golos nos jogos inaugurais, nos nove jogos em causa cinco terminaram com empates: um 0-0 entre Itália e Espanha no Europeu de 1980 e quatro 1-1, o derradeiro dos quais no Polónia-Grécia do último Europeu, em 2012, disputado na Polónia e na Ucrânia.

Mais: nos quatro jogos inaugurais que não terminaram com empates raquíticos, as vitórias foram todas alcançadas pela margem mínima: 1-0 no França-Dinamarca de 1984, 2-1 no Bélgica-Suécia de 2000, 1-2 no Portugal-Grécia de 2004 (continuamos nisto...) e 0-1 no Suíça-República Checa de 2008.

É claro que a estatística não quer dizer nada e que há sempre a possibilidade de o jogo de hoje redundar num épico 7-5. Mas o que a história nos indica é que a ansiedade das duas equipas pela estreia na competição, aliada ao peso da responsabilidade da equipa anfitriã da prova, tem condicionar os encontros de abertura. Não será por acaso que apenas em duas ocasiões em nove possíveis o “factor casa” pesou no resultado, em 1984 e 2000. Noutras duas ocorreu mesmo o balde de água fria para os adeptos locais. Uma delas em Portug... isso.

Duas notas finais sobre o que a estatística permite vaticinar para o jogo desta noite: a França não perdeu nenhum dos dois jogos inaugurais que disputou em Europeus (1-0 à Dinamarca em 84; 1-1 com a Suécia em 92), portanto tem a história pelo seu lado. E se o jogo tiver golos, o mais provável é que eles surjam no segundo tempo: 10 dos 16 golos foram marcados nos segundos 45 minutos desses encontros. A maioria deles (6) obtidos entre os 51 e os 58 minutos.

E agora, só por curiosidade, o leitor pergunta: “Então e quais foram os golos mais madrugadores e tardios nesses nove jogos inaugurais?”. E a gente responde: vá ao google e pesquise um certo jogo em que Karagounis marcou aos 7 minutos e Ronaldo aos 93.