Euro 2016

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Na gaveta

Ainda não é desta Platini

“Na Gaveta lembra um recorde com 32 anos, de má memória para Portugal. Será desta que vai ser batido?

Adriano Nobre

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Podia estar a correr melhor. O futebol praticado não tem sido horrível, mas não será polémico afirmar que os jogos deste Europeu têm estado, até agora, longe de entusiasmar. Atingimos hoje a primeira metade da fase de grupos e, exceção feita a pequenos momentos como o golo de Hamsik, não há propriamente uma fartura de candidatos a postais de recordação.

Já há seleções a preparar as malas para regressar a casa (como a Ucrânia), mas ainda ninguém encheu o peito como candidato natural por aquilo que mostrou.

A anfitriã continua a arrancar vitórias a ferros contra equipas medianas (“Reis do Suspense”, chama-lhe o L'Equipe...), a Alemanha fechou a segunda ronda com o estranho registo de apenas um golo marcado em dois jogos, a Espanha sofreu até ao fim na estreia, a Bélgica prometida caiu ante os eternos anti-heróis italianos. E Portugal, enfim.

O nulo de ontem entre Alemanha e Polónia enfatizou, de resto, outra nota pouco excitante até ao momento: Muller e Lewandoski voltaram a ficar em branco. Como já tinha ficado Ronaldo. Ou Ibrahimovic. Ou Harry Kane. Ou Mandzukic. Como bem terão reparado todos os adeptos que fizeram equipas na Fantasy League da UEFA.

Das “estrelas” óbvias na arte de meter a bola na baliza, apenas Bale, com dois golos em dois jogos, pode dizer que está, até agora, a ir ao encontro das expectativas do adepto comum. Mas nem isso parece suficiente para sequer ameaçar um recorde que se mantém de pé desde 1984: os nove golos de Platini numa fase final de um Europeu.

Embora a edição deste ano permita a um jogador de uma seleção finalista disputar sete jogos, já parece pouco expectável, pela amostra, que Platini venha a ver ultrapassada a proeza que construiu em apenas cinco partidas. Marcando em todas elas: um golo à Dinamarca (1-0); três à Bélgica (5-0); três à Jugoslávia (3-2); um a Portugal (o decisivo, que temos visto até à náusea nas recordações dessa meia-final); e um à Espanha, na final (2-0).

Não fosse este feito suficiente só por si, Platini logrou ainda nesse Euro84 colar o seu nome a outro recorde que se mantém intacto desde então: o de único jogador a conseguir dois hat-tricks em fases finais de Europeus. Além dele, de resto, só seis outros jogadores conseguiram marcar três golos num jogo de uma fase final da prova. O Muller original em 1976 e o seu compatriota Klaus Allofs em 1980, os holandeses Van Basten em 1988 e Kluivert em 2000, o improvável Sérgio Conceição também em 2000 e o espanhol David Villa em 2008.

Na véspera do arranque do Europeu, Platini disse prever que o seu estatuto de maior goleador da história das fases finais de Europeus seria batido este ano. Mas entre os jogadores que ainda estão no ativo, só Ronaldo e Ibrahimovic, ambos com seis golos nas suas três anteriores participações em fases finais, estariam na iminência de consegui-lo. Veremos o que acontece entre hoje e amanhã. Mas parece que Platini vai ter de rever a sua previsão.