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Anghel Iordanescu

O senador que interrompeu a reforma

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Foto Dean Mouhtaropoulos

O aumento das pensões dos idosos é uma das bandeiras do seu percurso como senador no Parlamento da Roménia. Em 2006, quando se retirou do futebol para entrar na política, pensou que estava a mudar de vida para não mais regressar ao passado. Durante quatro anos, de 2008 a 2012, o social democrata teve assento no Senado, primeiro pelo PSD e depois como independente, até que decidiu candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Bucareste.

A cidade conhecia-o há muito de outras lides, pois tinha sido uma das estrelas do Steaua de Bucareste e da seleção romena de futebol nos anos 70 e 80. Um dos heróis da conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1986, até hoje o maior feito do futebol romeno, Iordanescu foi também o homem que conduziu a seleção ao seu melhor resultado num Campeonato do Mundo, ao atingir os quartos-de-final em 1994.

Às suas ordens tinha jogadores de talento como George Hagi - conhecido por Maradona dos Cárpatos pela sua capacidade técnica -, Dumitrescu, Raducioiu, Petrescu ou Monteanu. E também o operário de luxo Gheorghe Popescu, que mais tarde chegaria a capitão do Barcelona. A equipa praticava um futebol vistoso e na memória coletiva ficou a exibição frente à Argentina, que sem Diego Maradona – suspenso pela FIFA sob o pretexto de ter acusado cocaína no controlo antidoping - sucumbiu nos oitavos-de-final aos pés dos romenos, por 3-2.

Iordanescu manteve-se no cargo até ao Mundial de 1998, passando sem glória pelo Euro 1996, e voltaria mais tarde para o segundo ciclo ao comando da seleção, de 2002 a 2004, dessa vez sem grande sucesso.

Apesar da fama ganha no futebol, não foi capaz de a capitalizar em votos na corrida à Câmara de Bucareste. Dois anos depois, em 2014, chamaram-no para voltar a chefiar a equipa nacional. Recusou uma vez, recusou duas - e acabou por ceder à pressão. Pela sua mão, a Roménia está de regresso às fases finais, desta vez com uma abordagem defensiva. "Esta seleção não tem o talento daquela que jogou nos anos 90", justifica-se.

O contra-ataque será a estratégia para chegar ao golo porque cada um luta com as armas que tem. E este senador do futebol romeno é também um general do exército na reserva.