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Ján Kozák

A brilhar por dois países

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Foto SAMUEL KUBANI

Ján Kovák, de 62 anos, tem o privilégio de ser um histórico do futebol de dois países. Enquanto futebolista, começou a brilhar no Lokomotiva Kosice. Médio com capacidade goleadora, participou na conquistas da Taça da Checoslováquia e chegou rapidamente à seleção do seu país, participando no terceiro lugar conquistado no Europeu de 1980, disputado em Itália. É verdade que este foi o último grande feito da equipa nacional checa, que conquistara o título europeu, quatro anos antes, na Jugoslávia, mas para Kovák foi uma competição determinante, pois permitiu-lhe dar o salto para o Dukla de Praga, um dos grandes da Checoslováquia, ao serviço de quem viria a sagrar-se futebolista do ano (1981), vencedor de uma taça (81) e duas vezes campeão nacional (81 e 82).

Regressou depois, ao seu Lokomotiv de Kosice, antes de duas experiências nas divisões inferiores do futebol belga e francês. Terminaria a carreira no clube onde começara e onde deu início, também, ao seu trajeto de treinador, em 1993, então já não como checoslovaco mas cidadão da Eslováquia.

Viria a ser, no entanto, no outro clube da cidade, o FC Kosice, que começou a dar nas vistas, conquistando dois títulos de campeão em 1997 e 98. Seguiram-se anos conturbados em termos financeiros para o clube e Kovák acabou por perder-se em experiências infrutíferas por outras bandas. Mas acabaria por voltar ao clube, em 2005, numa altura em que a bancarrota o relegara para a segunda divisão. À frente do refundado MFK Kosice, o treinador logrou sagrar-se campeão da segunda divisão, trazer a equipa de volta à ribalta e vencer a Taça em 2009. Ano que, porém, ficaria marcado a negro na sua carreira, depois de ter agredido e lesionado um treinador adversário, o que levaria a um castigo de sete meses de suspensão e à perda do emprego.

Em 2013, hesitou em aceitar o convite para selecionador, mas a família convenceu-o a esquecer aquele triste episódio. E em boa hora o fez, pois Kovák conseguiu levar a equipa nacional à sua primeira qualificação para um Campeonato da Europa, seis anos depois de uma estreia em grande num Mundial, na África do Sul, marcado pela chegada aos oitavos-de-final, depois de bater a Itália por 3-2. Voltará a surpreender?