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Lars Lagerback

O anti-herói sugerido para Presidente

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Foto Phil Cole

O homem que levou a Suécia a cinco fases finais consecutivas (do Euro 2000 ao Euro 2008), proeza nunca antes alcançada, chegou à Islândia em Outubro de 2011 e o seu nome já foi sugerido para Presidente da República. A ideia não partiu de um qualquer adepto anónimo, eufórico com o triunfo sobre a Holanda, em Setembro do ano passado, mas de um membro do Governo, o ministro da Energia Össur Skar Hedin.

O treinador sueco levou os islandeses ao delírio ao garantir o primeiro apuramento para uma fase final. A Islândia, que vai medir forças com Portugal na fase de grupos, passa a ser o país menos populoso de sempre a marcar presença num Campeonato da Europa de futebol - com 320 mil habitantes, tem pouco mais do dobro da população de Braga. Há quatro anos e meio, quando Lagerback assumiu o cargo, estava fora do top-100 do ranking de seleções da FIFA; hoje ocupa a 35.ª posição.

"Não diria que sou um herói", soltou o técnico após a qualificação ficar assegurada, num assomo de modéstia. "Martin Luther King, Nelson Mandela e pessoas como eles é que são heróis".

Lagerback nunca teve um sonho famoso, como o ativista norte-americano, nem dedicou a vida a pacificar um país, como o líder sul-africano. Mas já fez o suficiente no mundo da bola para fintar o destino de anti-herói que lhe parecia destinado. Medíocre como jogador - a ponto de ter acumulado as funções de rececionista num dos clubes secundários que representou -, entrou no futebol como um estranho e ganhou reputação como selecionador no seu país - após muitos anos a trabalhar nas camadas jovens -, para agora abraçar o último e talvez o maior desafio da sua carreira.

Depois do Europeu de França, o antigo estudante de ciência política e economia vai reformar-se. É bem possível que os jogadores deixem de ser notificados das convocatórias via sms.