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Leonid Slutsky

O guarda-redes que deixou de o ser quando quis salvar um gato

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Foto Epsilon

Se não se tivesse aventurado a resgatar o gato de um vizinho do cimo de uma árvore, num dia de 1989, a história seria, com toda a certeza, bem diferente.

Leonid Slutsky dava os primeiros passos como guarda-redes no futebol profissional quando, com apenas 19 anos, foi forçado a guardar as luvas. Ao cair da árvore, sofreu uma grave lesão que o obrigou a procurar outro ganha-pão. "Tornei-me um herói na minha terra porque salvei o gato, mas infelizmente caí e lesionei-me no joelho", contou em tempos.

Em vez de entrar na corrida à sucessão de Rinat Dasaev, lendário guarda-redes da Rússia dos anos 80 e finalista do Euro 1988, lançou-se para uma carreira de treinador. Três anos depois do acidente que o afastou dos relvados, Slutsky começou a trabalhar num clube da sua cidade natal, o Olímpia Volvogrado, e ao fim de uma década saltou para o campeonato principal da Rússia, através do Uralan Elista. Tinha 32 anos e era mais novo do que alguns jogadores.

Está desde 2009 no CSKA de Moscovo, onde já conquistou três títulos de campeão, e assumiu a seleção nacional em Agosto de 2015, após a destituição do italiano Fabio Capello. A Rússia corria sério risco de ficar pelo caminho, mas as quatro vitórias consecutivas nas quatro jornadas finais ditaram o apuramento. Soma-se ainda o triunfo por 1-0, frente a Portugal, num particular que permitiu a Slutsky igualar o recorde de Pavel Sadyrin, com cinco vitórias nos cinco primeiros jogos como selecionador.

Ao ser convidado para o cargo, o técnico impôs como única condição continuar ao leme do CSKA de Moscovo. A exigência foi satisfeita e Slutsky será o único treinador de clube no Europeu de França. Quanto ao valor do salário, não foi objeto de negociação: o homem que não foi guarda-redes por causa de um gato não quis receber nada.