Euro 2016

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Mykhaylo Fomenko

O trabalhador temporário

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Foto SERGEI SUPINSKY

O inglês Harry Redknapp não quis, o sueco Sven-Goran Eriksson idem e a escolha recaiu neste veterano do futebol soviético e ucraniano, campeão no Dínamo Kiev como jogador (ainda na URSS) e treinador (já na liga ucraniana). Como terceira opção para orientar a Ucrânia, não mereceu mais do que um contrato de um ano, quando aceitou o desafio em Dezembro de 2012.

O grande objetivo passava por levar a seleção nacional ao Mundial do Brasil. Num grupo com a Inglaterra, acabou na segunda posição, a um escasso ponto do rival, e o sonho ruiu no playoff de repescagem, perante a oposição francesa. Um desfecho aceitável que lhe valeu mais um ano de contrato para tentar levar a bom porto a viagem rumo ao Euro 2016.

Superado na fase de qualificação por Espanha e Eslováquia, selou o apuramento num playoff com a Eslovénia, o que obrigou a nova conversa com a entidade patronal. Qual empresa de trabalho temporário, a federação ofereceu-lhe mais 6 meses de contrato, até ao final do Euro 2016. Lá estará com duas lendas mais recentes do futebol ucraniano a seu lado no papel de adjuntos, Shevchenko e Holovko.

Com apenas quatro derrotas em 33 jogos ao leme da seleção, Fomenko levou a Ucrânia do 47.º ao 22.º lugar do ranking da FIFA, demonstrando aos 67 anos que se dá bem com os contratos a termo certo. É um homem que conhece como ninguém o futebol daquelas bandas: participou em quase 300 partidas na liga soviética (apenas um golo marcado), foi tricampeão no Dínamo Kiev e conquistou uma Taça das Taças, medalha de prata no Euro 1972 e de bronze nos Jogos Olímpicos de 1976; como treinador, correu quase todos os clubes ucranianos, apresentando como maior troféu a "dobradinha" em 1993, quando levou o Dínamo Kiev a vencer o campeonato e a taça da Ucrânia.