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Governo espanhol confirma dados do Expresso e investigará Ronaldo

O secretário de Estado espanhol para os assuntos fiscais confirmou os números avançados pela investigação jornalística internacional de que o jornal Expresso faz parte sobre os rendimentos de direitos de imagem que Cristiano Ronaldo obteve através de offshores.

Miguel Prado

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Laurence Griffiths/GETTY

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O Governo espanhol admite que continuará a investigar os rendimentos que Cristiano Ronaldo obteve por via dos seus direitos de imagem e que, como o Expresso avança na sua edição deste sábado, ascendem a 150 milhões de euros no período de 2009 a 2020.

“A Agência Tributária em Espanha é extraordinariamente profissionalizada. E como não poderia ser de outra forma, a agência realizará as inspeções que considere oportunas”, afirmou o secretário de Estado espanhol para os assuntos fiscais, José Fernández de Moya, em declarações à rádio espanhola Cope.

Nas suas declarações o governante evitou entrar em pormenores sobre as inspeções a Ronaldo, mas confirmou que a informação de que a Agência Tributária do país dispõe é “exatamente” a que vem nos meios de comunicação este sábado.

Segundo uma investigação da rede de jornalismo de investigação EIC - European Investigative Collaborations, a partir de dados obtidos pela revista alemã “Der Spiegel”, Cristiano Ronaldo é um de vários futebolistas de alta competição que foram inspecionados pelas autoridades fiscais espanholas pela não declaração de rendimentos de direitos de imagem.

Conforme o Expresso escreve na sua edição deste sábado, Ronaldo obteve entre 2009 e 2014 direitos de imagem de 74,8 milhões de euros, recebidos através da empresa Tollin, nas Ilhas Virgens Britânicas. Mas durante vários anos o jogador nunca declarou esses rendimentos. Só no final de 2014 decidiu declarar uma parte desses rendimentos, de pouco mais de 11 milhões de euros.

Essa declaração parcial, que deixou de fora da tributação mais de 60 milhões de euros relativos ao período de 2009 a 2014, ocorreu em simultâneo com a declaração de uma outra parcela também em torno de 11 milhões de euros, mas para um novo contrato de direitos de imagem que ascendia a 75 milhões de euros e cobre o período de 2015 a 2020.

Em comunicado, a Gestifute fez questão de frisar que Ronaldo tem as suas obrigações fiscais em dia e não é alvo de nenhum processo por crimes fiscais. “Nunca Cristiano Ronaldo como José Mourinho estiveram envolvidos em qualquer processo judicial relativo à prática de qualquer delito fiscal”, diz a Gestifute.

A empresa de Jorge Mendes, que representa Ronaldo, diz ainda no seu comunicado que “em todos os casos em que se verificaram divergências com as autoridades sobre os critérios fiscais a aplicar, as mesmas foram resolvidas por acordo, sem necessidade de recurso aos tribunais”.