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Justiça espanhola acusa Ricardo Carvalho e abre investigação a Coentrão

Ministério Público de Madrid informou esta quarta-feira que acusou formalmente três jogadores de evasão fiscal e que abriu investigações a outros dois, com base nos dados da investigação Football Leaks

Joana Azevedo Viana

PIERRE-PHILIPPE MARCOU / AFP / Getty Images

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O organismo correspondente ao Ministério Público de Madrid confirmou, num comunicado enviado à imprensa espanhola esta quarta-feira, que acusou formalmente três jogadores de futebol — Xabi Alonso, Ángel Di María e o português Ricardo Carvalho — e que vai abrir inquéritos a outros dois — Fábio Coentrão e o colombiano Falcao — no âmbito das denúncias feitas pelo consórcio European Investigative Collaborations (CEI, na sigla portuguesa), do qual o Expresso é parceiro, na investigação Football Leaks.

No documento, o organismo da Justiça madrilena diz que, com base nos dados que lhe foram remetidos pela Agência Tributária, decidiu formalizar acusações contra os três futebolistas, dois deles, Ricardo Carvalho e Di María, citados nos documentos fornecidos ao CEI pela revista "Der Spiegel". No mesmo comunicado, sublinha que mantém abertas as investigações ao colombiano Falcao, ex-avançado do FC Porto, e a Coentrão, internacional português e atual defesa esquerdo do Real Madrid.

Quatro destes sete jogadores são representados por Jorge Mendes, o empresário português dono da Gestifute, que gere as carreiras destas e de outras estrelas de futebol, incluindo Cristiano Ronaldo e o treinador José Mourinho, igualmente citados em vários documentos dos 1900 gigabytes de informação analisados nos últimos sete meses por uma equipa de 60 jornalistas dos 12 meios de comunicação do CEI.

Segundo a agência espanhol EFE, a administração fiscal espanhola ainda não remeteu qualquer informação sobre Cristiano Ronaldo à justiça madrilena. Isto depois de, no sábado, ter confirmado que as informações avançadas pelo Expresso na sua edição de fim-de-semana correspondem "exatamente" aos dados que tem em sua posse sobre as contribuições tributárias do futebolista. Este e outros parceiros do CEI revelaram nos últimos dias que Ronaldo terá recorrido a empresas fictícias com sede nas Ilhas Virgens britânicas para ocultar receitas de publicidade de 150 milhões de euros. Segundo a revista alemã "Der Spiegel", alguns colaboradores próximos do avançado português revelaram-se preocupados com a possibilidade de detalhes da sociedade caribenha chegarem ao conhecimento das autoridades.

Na quinta-feira, a Gestifute garantiu que tanto Ronaldo como Mourinho têm as suas obrigações fiscais em dia, tanto em Espanha como, no caso de Mourinho, no Reino Unido, onde atualmente treina o Manchester United.

O "El Mundo" avança que, no mesmo comunicado hoje emitido, a Fiscalía Regional madrilena diz-se favorável à medida cautelar interposta pelo juiz de instrução Arturo Zamarriego, para impedir a publicação das informações do Football Leaks nesse jornal e nos restantes 11 órgãos de comunicação social envolvidos nesta investigação.