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Football Leaks

Finanças espanholas “não vão aceitar multas inferiores a 40% do dinheiro desviado”

Ministério Público de Madrid quer negociar acordos com os ex-jogadores da equipa merengue acusados de ocultação de rendimentos e fuga ao fisco, como denunciado na investigação Football Leaks

Joana Azevedo Viana

Jorge Mendes e Radamel Falcao

VALERY HACHE/GETTY

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O Ministério Público de Madrid vai propor acordos de conformidade aos cinco futebolistas, entre eles os portugueses Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão, que estão a ser investigados por suspeitas de delitos fiscais. A informação foi avançada à Cadena Ser por fontes jurídicas daquele organismo.

"Os acordos passariam pela imposição de uma multa, para além da recuperação do dinheiro supostamente defraudado e de uma leve pena de prisão que não os conduza a um centro penitenciário", explica a emissora espanhola, numa aparente referência a penas de prisão suspensa pelo crime de evasão fiscal.

Fontes da Autoridade Tributária do país garantem, citadas pela mesma rádio, que as Finanças "não vão aceitar multas inferiores a 40% do dinheiro" que os futebolistas terão desviado para paraísos fiscais como as Ilhas Virgens britânicas e o Panamá.

Na quarta-feira, a procuradoria madrilena anunciou acusações contra os ex-jogadores do Real Madrid Xabi Alonso, o argentino Ángel Di María e o português Ricardo Carvalho, e a abertura de investigações formais a Fábio Coentrão e ao colombiano Radamel Falcao.

Ricardo Carvalho, o internacional português que integrou o plantel merengue entre 2010 e 2013, terá entrado em contacto com os responsáveis judiciais para garantir que vai pagar os 400 mil euros que não terá declarado ao fisco espanhol nesse período, dizem as mesmas fontes à Cadena Ser.

Todas as investigações em curso têm por base dados enviados ao Ministério Público de Madrid pelo Ministério das Finanças; fontes internas disseram ontem ao "El Mundo" que a autoridade tributária ainda está a recolher indícios contra Cristiano Ronaldo pelo mesmo delito fiscal no decurso de uma investigação que já contabiliza um ano e meio e que está numa fase "avançada". Essas informações serão depois enviadas às autoridades judiciais, a fim de se abrir um processo contra o internacional português.

De acordo com documentos da plataforma Football Leaks, que foram passados à revista alemã "Der Spiegel" e que estão a ser analisados há mais de sete meses pelos 12 parceiros do consórcio European Investigative Collaborations (EIC), entre eles o Expresso, Ronaldo terá desviado para o paraíso fiscal das Ilhas Virgens britânicas pelo menos 150 milhões de euros obtidos em direitos de imagem.

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