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Ronaldo: “Não sou hipócrita, esta história do fisco magoou-me”

Em entrevista à “France Football” após vencer a quarta Bola de Ouro da sua carreira, o internacional português compara-se aos “inocentes que estão na prisão no caso do alegado desvio de até 150 milhões de euros para as Ilhas Virgens britânicas, revelado pela investigação Football Leaks

Joana Azevedo Viana

Denis Doyle

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Cristiano Ronaldo diz que não celebrou da mesma forma a quarta Bola de Ouro, prémio maior do mundo do futebol, atribuído anualmente pela revista "France Football". "Claro que me amargou o prazer de ganhar esta bola de ouro", disse em entrevista à revista na segunda-feira, logo a seguir à atribuição do prémio, referindo-se às suspeitas de evasão fiscal elevadas pela investigação Football Leaks, a cargo do consórcio de jornalistas European Investigative Collaborations (EIC), de que o Expresso faz parte.

De acordo com parte dos mais 1900 gigabytes de documentos obtidos pela revista alemã "Der Spiegel" e fornecidos aos 12 parceiros do CEI, incluindo o jornal madrileno "El Mundo", o internacional português terá desviado até 150 milhões de euros para três empresas offshore com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens britânicas.

Em reação às revelações, a Gestifute, empresa do agente Jorge Mendes, que representa Ronaldo, Mourinho e uma série de outros astros do futebol citados no Football Leaks, divulgou a declaração de património que o avançado do Real Madrid detém no estrangeiro — 220 páginas de documentação entregues ao Fisco, nas quais Ronaldo declara 203 milhões de euros em bens e património fora de Espanha, mas onde não há referência aos 150 milhões de euros em direitos de imagem que, de acordo com a documentação do Football Leaks, terão sido transferidos para as Ilhas Virgens.

Apesar de tudo, o internacional português continua a defender a sua inocência, dizendo que "estaria a mentir se dissesse que não" foi afetado pela controvérsia. "Não sou hipócrita. Não me fez nada bem e tudo isto é um processo difícil para mim e para as pessoas que me rodeiam, para a minha família, o meu filho, para as pessoas que trabalham comigo", disse ontem à "France Football". "Magoa-me porque tento sempre fazer as coisas bem. Há gente inocente na prisão e eu sinto-me assim. Sei que não fiz nada de mal. A verdade, tarde ou cedo, acabará por vir ao de cima."

Na mesma entrevista, o internacional português opôs as recentes suspeitas de fuga ao fisco espanhol, que segundo fontes das Finanças estão sob investigação há mais de um ano e meio, com os artigos da imprensa cor de rosa sobre as suas namoradas, família e amigos. "Quando falam da minha vida privada, dos meus amigos, do sítio onde fui de férias ou se tenho namorada ou não, isso é normal. Mas quando se trata de algo sério, como o que está a acontecer agora, deve haver justiça. Tenho advogados."