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Football Leaks: França abre investigação preliminar a evasão fiscal no futebol

Revelações do consórcio European Investigative Collaborations, de que o Expresso é parceiro, estão por trás da decisão do fisco francês em investigar suspeitas de "branqueamento de fraudes fiscais agravadas". Inquérito foi aberto a 12 de dezembro mas apenas divulgado esta terça-feira

Joana Azevedo Viana

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Paul Pogba é um dos franceses citados no Football Leaks

© Alessandro Garofalo / Reuters

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A Autoridade Tributária de França anunciou esta terça-feira a abertura de um inquérito preliminar às suspeitas de lavagem de dinheiro e fraude fiscal denunciadas pelo consórcio de jornalismo European Investigative Collaborations (EIC), de que o Expresso é parceiro, no âmbito do caso Football Leaks.

O gabinete central de luta contra a corrupção e as infrações financeiras e fiscais estará a cargo do inquérito preliminar, informou o fisco francês num comunicado citado pelo jornal "Le Monde", com o objetivo de apurar se houve "branqueamento de fraudes fiscais agravadas" no país. O inquérito foi aberto há uma semana, a 12 de dezembro, na sequência das revelações do Football Leaks.

"À luz da publicação, entre 9 e 12 de dezembro de 2016, de uma série de artigos de imprensa relativos ao Football Leaks, a Autoridade Tributária decidiu abrir a 12 de dezembro de 2016 um inquérito preliminar por branqueamento de fraudes fiscais agravadas, que pode envolver residentes fiscais franceses", é indicado sem mais pormenores.

Com base em 1900 gigabytes de informações obtidas pela revista alemã "Der Spiegel", os 12 parceiros do EIC têm estado a revelar uma série de esquemas de evasão fiscal e recurso a paraísos fiscais e empresas offshore por variadas estrelas do futebol europeu, do treinador José Mourinho a Cristiano Ronaldo, passando pelo superagente Jorge Mendes, que através da Gestifute representa as duas estrelas portuguesas e uma série de outros jogadores de renome citados nos documentos — alguns deles, como Ronaldo, Pepe e Fábio Coentrão, que integram o atual plantel do Real Madrid. Mendes e vários dos jogadores desmentem as acusações.

Há duas semanas, o Ministério Público espanhol anunciou a abertura de processos criminais contra três futebolistas por evasão fiscal no país — Xabi Alonso, Ángel Di María e o português Ricardo Carvalho — e disse ainda que está a investigar Fábio Coentrão e o colombiano Radamel Falcao pelas mesmas suspeitas. Na semana seguinte, o diretor do "El Mundo", outro dos parceiros do EIC, disse à Tribuna que está ser alvo de um "autêntico linchamento nas redes sociais" por parte dos aficionados madridistas que vêm no Football Leaks um ataque direto ao clube merengue.

O Fisco espanhol já exigiu ao jornal madrileno toda a documentação que tem em sua posse relativa aos alegados esquemas de evasão fiscal em que as estrelas de futebol estão envolvidas. A Comissão Europeia também já propôs que, no próximo ano, seja debatida e aprovada nova legislação de combate à fraude fiscal e corrupção na UE, na sequência das denúncias do EIC, que têm por base contratos originais, ficheiros internos dos clubes, emails privados e outros documentos. Portugal ainda não anunciou nenhum inquérito ou medida no rescaldo das revelações do Football Leaks.