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Atenção, a Mercedes está a contratar e estes são os candidatos

A saída de Nico Rosberg da Mercedes deixou livre um dos dois lugares mais apetitosos da Fórmula 1. O telefone de Toto Wolff, o impassível patrão da escuderia campeã do mundo, não tem parado de tocar, mas há uns mais candidatos do que outros. A Tribuna deixa-lhe aqui os que têm mais possibilidades

Lídia Paralta Gomes

Mark Thompson/Getty

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Está a pensar mudar de vida? Pois bem, aqui está uma oportunidade. A equipa de Fórmula 1 da Mercedes está a contratar e se por acaso tem experiência em engenharia de design ou de qualidade, ou se o seu sonho é ser chefe de equipa de infraestruturas, atire-se. A lista de ofertas de emprego da escuderia é pública e pode ser consultada aqui.

No site oficial não consta, mas na última semana a Mercedes foi obrigada a juntar uma nova vaga à lista: a de piloto. A saída de Nico Rosberg apanhou meio mundo de surpresa (ok, todo o mundo) e foi preciso improvisar. Assim, a lista afixada na sede da equipa, na vila inglesa de Brackley, aparece já “atualizada” e até ao último dia do ano cada um pode tentar a sua sorte.

A lista de empregos afixada na sede da Mercedes, em Brackley

A lista de empregos afixada na sede da Mercedes, em Brackley

Ok, isto é apenas uma brincadeira bem-humorada. Até porque sabemos que estas coisas não são bem assim e é preciso bem mais que um CV para se contratar um piloto. Para começar, uma Superlicença FIA, qualificação emitida apenas a quem cumprir uma série de critérios nos campeonatos de base ou, em casos muitos específicos, a quem mostrar um talento acima da média para pilotar carros de competição após pelo menos 300 quilómetros de testes - Max Verstappen chegou assim à Fórmula 1.

É natural que o leitor não tenha uma Superlicença FIA e por isso não estará na shortlist da Mercedes para o cargo de colega de equipa de Lewis Hamilton. Salvo alguma surpresa de última hora ou coelho tirado da cartola - o que na Fórmula 1 da modernidade não é assim tão estranho -, a escolha deverá passar por um destes homens:

Fernando Alonso

Ao espanhol não lhe faltam coisas em que pensar. Onde vai correr no próximo ano, por exemplo

Ao espanhol não lhe faltam coisas em que pensar. Onde vai correr no próximo ano, por exemplo

Dan Istitene/Getty

Campeão do mundo em 2005 e 2006 pela Renault, a ideia que se tem do espanhol de 35 anos no paddock é mais ou menos consensual: é um grande piloto que tem tido o azar de estar nas equipas erradas nos últimos anos. Estava na Ferrari nos anos de domínio da Red Bull e mudou-se para a McLaren em pleno reinado da Mercedes. Agora, abre-se a porta para voltar a ter nas mãos um carro capaz, depois de duas temporadas altamente frustrantes na McLaren-Honda, em que terminar uma corrida já era, por si só, um feito.

Toto Wolff, o homem forte da Mercedes, é todo ele elogios para o espanhol. “O Fernando é sempre um nome a ter em consideração. É um piloto que respeito imenso. Combina talento, rapidez e experiência. Está tudo lá”, disse Wolff em declarações à “Sky Sports”.

O discurso é muito bonito, mas há dois probleminhas. Antes de mais, o asturiano tem contrato por mais um ano com a McLaren e não deverá ser fácil libertá-lo. E, tão ou mais importante, a relação de Alonso com Lewis Hamilton. Os dois foram colegas de equipa em 2007 na McLaren e a tensão entre o então campeão mundial em título e o então rookie foi constante. No final da temporada, Alonso disse “adeus, até um dia”, voltando para a Renault. Depois de três anos de intensa rivalidade entre Hamilton e Rosberg, mais drama não será o que a Mercedes deseja.

Valtteri Bottas

É desta que Bottas vai para uma equipa de topo?

É desta que Bottas vai para uma equipa de topo?

Clive Mason/Getty

A caminhada de cinco anos de Valtteri Bottas na Fórmula 1 está num momento de estagnação: depois de ter sido 4.º no Mundial de 2014, este ano foi apenas 8.º e a Williams não dá sinais de poder dar ao nórdico condições para fazer muito melhor. Assim, vontade de mudar de ares não deve faltar a um dos pilotos mais rápidos da grelha, que há anos e anos é visto como um prodígio, mas sem nunca conseguir dar o salto para uma das equipas com pretensões ao título.

Vontade também não faltará a Toto Wolff, que além de diretor da Mercedes… gere a carreira de Bottas. Em 2015, o nome do finlandês surgiu bem colocado para substituir o compatriota Kimi Raikkonen na Ferrari, mas a equipa italiana acabou por renovar com o veterano. Nessa altura, Wolff colocou de parte uma ida de Bottas para a Mercedes. “De momento temos dois grandes pilotos e por isso as portas estão fechadas para todos. Mas quem sabe o que o futuro trará”. E o futuro trouxe um Nico Rosberg a bater com a porta, logo…

Problema: Bottas renovou com a Williams em novembro, decisão da qual se deve agora arrepender a cada minuto. Por outro lado, a Mercedes é a fornecedora de motores da Williams, assim que poderá haver espaço para negociar.

Pascal Wehrlein

Wehrlein é um rapaz cheio de sede de vitórias e aos 22 anos pode chegar ao topo

Wehrlein é um rapaz cheio de sede de vitórias e aos 22 anos pode chegar ao topo

Mark Thompson/Getty

Produto da academia júnior da Mercedes, Pascal Wehrlein anda há anos a prometer coisas belas no mundo automóvel. O cartão de visita não é mau: em 2015 e com apenas 20 anos tornou-se no mais jovem campeão do hiper-competitivo campeonato alemão de carros de turismo, o DTM. Isto enquanto era piloto de testes da Mercedes e Force India.

De resto, foi considerado o melhor estreante na Fórmula 1 em 2016, temporada em que correu na modesta Manor, conseguindo um ponto no GP Áustria e vários brilharetes na qualificação (um feito, tendo em conta a falta de qualidade da equipa).

Wehrlein parece, de momento, a opção mais acessível para a Mercedes. Tem talento, não tem qualquer vínculo contratual a chatear e conhece os cantos à casa. Como quem diz, o carro. Além disso, não deverá ser uma ameaça à liderança de Lewis Hamilton dentro da equipa, ainda que nos bastidores da Fórmula 1 se diga que o jovem, filho de pai alemão e mãe natural das Ilhas Maurícias, não seja a personalidade mais fácil de lidar do paddock.

Ambicioso Wehrlein é de certeza e já sublinhou várias vezes que está “mais que pronto” para assumir o volante da Mercedes. “A equipa sabe que adorava correr com eles. Os testes que fiz foram fantásticos. Mas não posso ligar-lhes todos os dias a perguntar ‘então, o que vão decidir?’. Não quero ser chato”.

Não te preocupes Pascal, não és o único: Toto Wolff já admitiu que 80% dos pilotos já lhe telefonaram a perguntar por novidades.

Esteban Ocon

O miúdo Esteban Ocon aqui com um look de se lhe tirar o chapéu

O miúdo Esteban Ocon aqui com um look de se lhe tirar o chapéu

Mark Thompson/Getty

Outro miúdo saído da academia Mercedes, Esteban Ocon tem resultados menos cintilantes que Wehrlein - normal, tendo em conta que o francês tem 20 anos, menos dois que o alemão -, mas ainda assim tem no currículo um título nas GP3 Series, uma das antecâmaras da Fórmula 1. Estreou-se este ano na disciplina máxima do automobilismo, fazendo a segunda parte da temporada na Manor, ao lado de Wehrlein.

Tem lugar assegurado no próximo ano na competitiva Force India, o que não será problema, já que a escuderia indiana corre com motores Mercedes.

… e os outros

Toto Wolff contou à “Gazzeta dello Sport” que apenas dois pilotos da atual grelha não lhe telefonaram após a retirada de Nico Rosberg: Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat. “São os únicos que não têm o meu número”, disse. Assim, apesar de quase todos estarem interessados, há cenários muito pouco prováveis, nomeadamente ver Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo ou Max Verstappen na Mercedes no próximo ano. Todos têm contratos em vigor e nem a Ferrari nem a Red Bull estarão na disposição de negociar uma saída.

A hipótese de Jenson Button voltar atrás na decisão de se retirar parece também apenas especulação, até porque o britânico campeão mundial em 2009 continua ligado à McLaren: será uma espécie de embaixador da equipa no próximo ano.

Assim, até 31 de dezembro haverá muito para pensar na sede da Mercedes, até porque está em jogo o lugar mais desejado do desporto automóvel. Tão desejado que nem Valentino Rossi se colocou de fora. Questionado esta terça-feira se gostaria de correr na Mercedes, o nove vezes campeão do mundo de motociclismo piscou o olho e disse: “Toto tem o meu número”.