Tribuna Expresso

Perfil

Fórmula 1

Há 40 anos (e um dia), a F1 assistiu a um dos piores acidentes da sua história

O atropelamento de um fiscal pelo carro do galês Tom Pryce é uma das cenas mais chocantes da história da Fórmula 1

Evandro Furoni

Tony Duffy/Getty

Partilhar

No dia 5 de março de 1977, a Fórmula viu os dos acidentes mais chocantes de sua história. O carro do galês Tom Pryce atropelou o fiscal Frederick Jansen van Vuuren. Ambos morreram.

O motor de Enrico Zorzi falhou a meio da prova durante o GP da África do Sul. Dois fiscais correram para apagar o incêndio sem permissão da direção da prova. Entre eles estava Vuuren.

O Shadow de Pryce acabaria por atropelar Vuuren. O extintor de 18 kg do fiscal acertou na cabeça do piloto. E ambos morreram instantaneamente.

Pryce não era um piloto de elite. Em 42 corridas na Fórmula 1, foram dois pódios e nenhuma vitória. Mesmo assim, ele até hoje carrega a honra de ter sido o único piloto galês a liderar uma prova da categoria: duas voltas durante o Grande Prémio da Grã-Bretanha de 1975.

Vuuren tinha 19 anos. Ele estava a acompanhar outro fiscal para apagar o incêndio do carro de Zorzi, da equipa Shadow assim como Pryce.

O italiano tinha estacionado o carro na lateral da pista porque o motor estava a pegar fogo. Os dois fiscais atravessaram a pista sem a autorização da direção da prova.

O alemão Hans-Joachim Stuck quase atropelou os dois fiscais, mas conseguiu desviar. Mas Pryce, imediatamente atrás de Stuck e a 270 km/h, não conseguiu.

O acidente foi transmitido em directo pela televisão. O corpo de Vuuren foi lançado ao ar, enquanto a Shadow de Pryce, já sem o controlo do piloto, parou apenas no fim da reta. O carro ainda bateu em uma barreira, voltou à pista e chocou com o de Jacques Laffite.

A pressa dos fiscais em não aguardar a ordem dos superiores para entrar na pista é um reflexo do clima de insegurança da Fórmula 1 na década de 70. Um ano antes, Niki Lauda, um dos maiores pilotos da história do desporto, quase morreu queimado vivo após um acidente na Alemanha.

Acidentes fatais não eram raros na Formula 1. Antes de Pryce, 22 pilotos tinham morrido durante um Grande Prémio, seja corrida ou treino, num período de 25 anos.

Com a evolução dos carros e das normas de segurança, o número de mortes caiu drasticamente nas três décadas seguintes. Mesmo assim, seis pilotos perderam a vida durante um evento oficial da Formula 1, um deles provavelmente o maior de todos - Ayrton Senna.

O último foi o francês Jules Bianchi, em 2014.