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Sem campeão, carros maiores e novo dono: prepare-se para uma nova F1 em 2017

Época de 2017 será marcada pelos carros maiores e mais rápidos, a luta sobre quem sucederá ao retirado Nico Rosberg como campeão e como será a vida sem Bernie Ecclestone

Evandro Furoni

Dan Istitene/Getty

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Quando a corrida começar no próximo domingo em Melbourne, a Fórmula 1 estará oficialmente numa nova era. A época de 2017 da principal categoria do automobilismo mundial marcará a primeira vez que o campeão do ano anterior não estará nas pistas em 23 anos, a primeira vez que Bernie Ecclestone não comandará o show em 40 anos e as maiores mudanças nos regulamentos para os carros nesta década.

É um mundo novo.

Pilotos: a guerra pelo trono vago

As novidades começam pelos pilotos. Após sagrar-se campeão em 2016, Nico Rosberg decidiu retirar-se da Fórmula 1. A última vez que a época começou sem o campeão do ano anterior foi em 1994, quando Alain Prost preferiu retirar-se a novamente ser companheiro de equipa de Ayrton Senna na Williams.

Resta saber quem herdará o trono. Lewis Hamilton é visto como o grande favorito. O britânico, derrotado pelo colega de Mercedes no ano passado, terá Valtteri Bottas como companheiro, e a tendência é que a rivalidade não seja tão intensa como aquela protagonizada com Rosberg em 2016.

Quem pode ameaçar o domínio da equipa alemã é a Ferrari. A scuderia vermelha mostrou nos testes em Barcelona que se adaptou bem às mudanças nos carros. Com uma dupla de ex-campeões a pilotá-los, Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen, a equipa italiana surge como grande candidata a tirar a Mercedes do trono que ocupa desde 2014.

Carros: uns quilinhos a mais não fazem mal

A imprevisibilidade aumenta por causa das mudanças nos carros. A Fórmula 1 deste ano terá carros maiores, mais rápidos e com visual mais agressivo.

A largura dos carros passou de 1,80 m para 2 metros, o que fez que eles ficassem 20kg mais pesados. Isso não quer dizer que serão mais lentos: com a largura maior dos pneus e melhor aerodinâmica, a expectativa é que as voltas sejam até cinco segundos mais rápidas.

Outro elogio feito aos novos modelos é no ponto de vista estético. Na opinião dos profissionais da categoria, o visual mais robusto criou chassis mais belos, que evocam o visual que a categoria tinha na década de 1970. O efeito é o contrário ao causado em 2009, ano da última grande mudança nas regras de aerodinâmica. Naquele momento, o visual "magro" dos carros foi alvo de críticas.

O que continua igual são os motores. Os criticados V6 seguem como o padrão na Fórmula 1; o visual clássico não virá acompanhado pelo rugido característico da era de ouro da categoria. Foram feitas mudanças para que eles sejam mais barulhentos em 2017.

O que será diferente são a regras para o desenvolvimento. As equipas agora não precisarão mais do sistema de tokens para melhorar os seus motores, e poderão "brincar" com eles quando e quanto quiserem.

Adeus, Bernie. Olá, Brawn

A época de 2017 é a primeira em que Bernie Ecclestone não será a cara da Fórmula 1 em 40 anos. O britânico, chefe da Fórmula 1 desde o final da década de 1970, foi demitido pelo grupo Liberty Media, que comprou a competição ao próprio Ecclestone em 2016.

Com o objetivo de recuperar a categoria da crescente queda de audiência dos últimos anos, o conglomerado norte-americano recrutou Ross Brawn como chefe de desporto.

O britânico é um nome respeitado para suceder Bernie. Brawn foi chefe de equipa da Ferrari que conquistou seis títulos de construtores entre 1999 e 2004, com cinco títulos de piloto para Michael Schumacher. Em 2009, Brawn dominou a categoria com a Brawn GP, campeã de construtores e pilotos, com Jenson Buttton no volante. Na época seguinte, ele vendeu a equipa à Mercedes, a atual gigante da Fórmula 1.

Agora resta saber se Brawn será capaz de repetir o sucesso uma terceira vez.