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“Let’s get ready to rumble!” ou como Lewis Hamilton pode ser campeão do Mundo já este domingo

Vai ser no sempre animado GP dos Estados Unidos, no Circuito das Américas, em Austin, que o britânico terá a primeira oportunidade para agarrar um quarto título na categoria rainha do automobilismo. Para tal, poderá até só necessitar de um 2.º lugar no mesmo local onde festejou o seu último campeonato do Mundo, em 2015. Vettel e Bottas, esses, esperam ainda um cataclismo cósmico para lá chegarem

Lídia Paralta Gomes

Um destes homens vai ser campeão do Mundo em 2017: Hamilton, o homem cool do meio, tem vantagem, mas Valtteri Bottas e Sebastian Vettel ainda têm hipóteses

Mark Thompson/Getty

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Antes de atacar o GP EUA, no Circuito das Américas, nos arredores de Austin, no Texas, Lewis Hamilton deu um saltinho ao Centro Espacial Lyndon Johnson - exato, aquele que entrou no imaginário coletivo após a frase “Houston, we have a problem” - e divertiu-se à grande a brincar com todas aquelas geringonças que os astronautas da NASA utilizam nas missões espaciais e que permitem fazer ralis na lua entre outras maluquices.

Uma visita pertinente, na medida em que será preciso qualquer coisa do outro planeta, um acontecimento do outro mundo para que este campeonato escape a Lewis Hamilton. O britânico está a um passo de conseguir um feito estratosférico: vencer o Mundial de Fórmula 1 pela quarta vez, depois de 2008, 2014 e 2015, juntando-se a um restrito grupo de pilotos que já venceram quatro ou mais títulos na categoria rainha do automobilismo, onde estão extraterrestres como Sebastien Vettel, Alain Prost (ambos tetracampeões), Juan Manuel Fangio (cinco) e Michael Schumacher (ainda recordista, com sete títulos).

Aqui está Lewis Hamilton no Centro Espacial Lyndon Johnson, talvez à procura de saber como se domina o Universo, ele que já sabe o que é ser o melhor do Mundo

Aqui está Lewis Hamilton no Centro Espacial Lyndon Johnson, talvez à procura de saber como se domina o Universo, ele que já sabe o que é ser o melhor do Mundo

E sobre coisas do outro mundo, estar tão perto do tetracampeonato quando ainda faltam quatro provas para o fim do campeonato parece do domínio do esotérico, isto se olharmos para o que foi o arranque da época. Partindo como favorito número 1 ao título depois do colega e frenamie Nico Rosberg ter dito auf wiedersehen à competição, Hamilton foi surpreendido por um super Vettel, que nas primeiras seis corridas não foi pior que 2.º classificado e parecia querer terminar com a seca de títulos da Ferrari, que já vai em 10 anos.

Mas bem, a meio da temporada a coisa começou a endireitar para Hamilton que, para lá de ser o mais rápido dos pilotos da grelha e de ter batido o recorde de mais pole positions da história, tem sido, de longe, o mais regular dos candidatos. Ao contrário de Vettel, que foi perdendo o mojo e conta com dois abandonos nas últimas três corridas. O britânico, por seu lado, nas últimas sete provas venceu cinco.

Com tudo isto, a possibilidade de Hamilton ser campeão do Mundo já este fim de semana é grande, ainda que, como sempre acontece nestas contas dos títulos da Fórmula 1, seja preciso sacar da máquina calculadora e fazer uma série de operações que envolvem não dois mas sim três pilotos, já que o companheiro de equipa de Hamilton na Mercedes, Valtteri Bottas, está matematicamente dentro da luta, ainda que só um cataclismo o possa levar a um inédito título. Um daqueles cataclismos que provavelmente nem o Centro Espacial Lyndon Johnson conseguiria explicar.

As contas

Ora portanto, isto está assim:

Lewis Hamilton: 306 pontos

Sebastian Vettel: 247 pontos

Valtteri Bottas: 234 pontos

O que em termos práticos quer dizer o seguinte: o britânico tem 59 pontos de vantagem sobre Vettel e para ser campeão nos Estados Unidos precisa de ganhar 16 pontos ao alemão e três ao finlandês, sobre quem leva 72 pontos à maior. Hamilton poderá até só precisar de um 2.º lugar, isto se Vettel não for melhor que 9.º e Bottas não vença. E se o britânico ganhar a corrida, o alemão terá de ser pelo menos 5.º.

Isto aconteceu no GP EUA de 2015: Hamilton festejou assim o seu 3.º título. Vai tentar repetir o banho este domingo

Isto aconteceu no GP EUA de 2015: Hamilton festejou assim o seu 3.º título. Vai tentar repetir o banho este domingo

Clive Mason/Getty

Se Hamilton for 2.º e Vettel 9.º, a diferença entre os dois fica nos 75 pontos, que é o máximo de pontos que o piloto da Ferrari pode conseguir até ao final da temporada. Mas mesmo que Hamilton não pontue nas últimas três provas do Mundial (México, Brasil e Abu Dhabi) e Vettel ganhe todas, essa equação altamente complicada, Hamilton será campeão, porque continua a ter vantagem nas vitórias em corridas, primeiro factor de desempate.

Seja em Austin, no México, no Brasil ou em Abu Dhabi, as probabilidades estão ao lado de Hamilton, que sabe o que é ser campeão no Circuito das Américas: foi lá que festejou o seu 3.º e até agora último título mundial, em 2015.

E quando é que vai acontecer?

Em Austin são menos seis horas que em Portugal Continental por isso prepare-se para esperar até ao final do dia de domingo para saber se há campeão ou não.

Mas o fim de semana de corridas começa já daqui a um par de horas: às 16 horas de Lisboa arranca a 1.ª sessão de treinos livres, com a 2.ª a começar às 20h. Já no sábado, os primeiros sons dos motores vão ouvir-se pelas 17 horas, na 3.ª sessão de treinos livres, com a qualificação a começar às 22h.

No domingo, o dia de todas as decisões, a corrida arranca às 20 horas. E para antes do arranque está montado todo um show, não estivéssemos a falar do US and A e não fosse a ocasião solene. Usain Bolt vai dar a partida oficial para a volta de formação e os carros vão sair do pit lane 15 minutos mais cedo do que é normal, tudo para que possam ser anunciados um por um por Michael Buffer, um dos mais famosos mestre de cerimónias do boxe e o homem que popularizou a frase Let’s get ready to rumble!.

Não que o GP dos Estados Unidos vá ser um combate de boxe, mas há boas possibilidades de Hamilton deixar KO os seus adversários.