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Lewis Hamilton: o quarto título está ao virar da esquina, perdão, da curva

Lewis Hamilton só precisa de ficar em 5º no GP do México desta noite para se sagrar campeão pela quarta vez. E o título de “melhor de sempre” já não está assim tão longe. Este artigo foi publicado na edição de 28 de outubro do jornal Expresso

Mariana Cabral

Mark Thompson/Getty

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Quando Lewis Hamilton chegou à Mercedes, em 2013, a construtora tinha no palmarés o seguinte registo: uma vitória numa corrida. Só. Desde que tinha reentrado na modalidade, em 2010, a Mercedes tinha festejado apenas uma vez, quando Nico Rosberg conquistou o Grande Prémio da China, em 2012. De resto, nem Rosberg nem Michael Schumacher deram mais alegrias à construtora, que estava parada desde 1956.

Fast forward para 2017 e a Mercedes acaba de conquistar o tetra no Mundial de construtores. E, amanhã (18h, SportTV5), é a vez de Lewis Hamilton fazer o mesmo. Ainda que o tetra do britânico não seja consecutivo, já que foi campeão em 2008 na McLaren e em 2013 e 2014 na Mercedes, é certo que o sucesso de um anda de mão dada com o sucesso do outro. Especialmente este ano.

Na semana passada, nos EUA, Hamilton venceu pela nona vez em 2017 e deu o título à equipa na qual diz estar a sentir-se cada vez melhor... depois do adeus do colega/rival Rosberg. “A minha melhor decisão foi mudar-me para esta equipa”, assegurou o britânico de 32 anos. “Não posso dizer que o ano passado foi ótimo. Mas o relacionamento com todos este ano é mais forte do que nunca. É ótimo estar a lutar com outra equipa, para que o foco seja diferente. Quando há dois pilotos fortes na mesma equipa, como nós tínhamos... Quando a batalha está cá dentro, é como um furacão forte preso na sala. Agora, estamos juntos e temos esse furacão a ir só para o carro, e há uma dinâmica mais feliz.”

Se Hamilton está feliz, a Mercedes está feliz, e se ambos estão felizes, Toto Wolff fica feliz. E aliviado por já não ter de lidar com brigas. “Olhando para trás, tudo acontece por uma razão. Mas vendo a estrutura que temos agora com o Lewis e com o Valtteri Bottas... beneficiou a prestação da equipa e dos pilotos. Este é o melhor Lewis — nas pistas e fora delas — com quem trabalhei desde 2013”, admitiu o líder da Mercedes, que augura, agora, um futuro brilhante para o ‘novo’ Hamilton. “Está quase a bater todos os recordes que existem na Fórmula 1 e é só uma questão de tempo até as pessoas reconhecerem que está a caminho de ser o melhor piloto da história.”

A perseguir Michael Schumacher... e Juan Manuel Fangio

Para conquistar o quarto título da carreira, aos 32 anos — curiosamente, a mesma idade com que Michael Schumacher conquistou o seu quarto troféu —, Hamilton só precisa de terminar em 5º lugar no GP do México — independentemente do que faça Sebastian Vettel, 2º classificado —, algo que durante a época foi simples para o piloto da Mercedes: conquistou pontos em todas as corridas e a única vez que ficou fora dos cinco primeiros aconteceu no Mónaco, quando terminou em 7º. Ou seja, a vitória está praticamente garantida. Mas Hamilton quer mais, claro. “Isso não muda nada, quero ganhar. Não tenho qualquer desejo de acabar a corrida em 5º e ver outro qualquer no pódio. Só és tão bom quanto a tua última corrida, por isso o que quero é estar no topo do pódio e festejar o Mundial. Essa é a melhor sensação”, garantiu.

Caso (bom, “quando”) se sagre campeão pela quarta vez, Hamilton dá mais um passo rumo à história, ao entrar num grupo restrito de ‘tetras’: Sebastian Vettel (de 2010 a 2013) e Alain Prost (1985, 1986, 1989 e 1993). A diferença está no número de vitórias: se o alemão tem no histórico 46 em 196 corridas, e o francês 51 em 202 corridas, o britânico tem um registo bem melhor, com 62 vitórias em 205 corridas. Mais vitorioso só mesmo um homem: Michael Schumacher, com 91 vitórias em 308 corridas. E, claro está, o palmarés mais titulado da Fórmula 1, com sete títulos mundiais (de 1991 a 1996 e de 2010 a 2012), mais dois do que o argentino Juan Manuel Fangio, que ganhou em 1951 e de 1954 a 1957).

Só que Lewis Hamilton tem outro dado muito importante a seu favor: uma percentagem de vitórias que já ultrapassa a de Schumacher (tal como o número total de pole positions), considerado por muitos como o melhor de sempre. Hamilton conquistou 30,24% das corridas em que participou, mais do que os 29,55% de Schumacher, e bem mais do que os 25,25% de Prost, os 23,47% de Vettel e... os 25,31% de Ayrton Senna, outro dos melhores que Hamilton vai ultrapassar. “Não penso que sou melhor por ter mais vitórias, mas sinto-me muito orgulhoso por ter o meu nome mencionado ao lado do dele. A vida dele foi encurtada e acho que se tivesse continuado a correr teria conquistado mais campeonatos”, disse Hamilton sobre o ídolo, que morreu aos 34 anos e conquistou três Mundiais.

Para já, é garantido que Hamilton continuará em 2018, ano em que termina o contrato com a Mercedes. Mas é provável que a ligação seja renovada, de acordo com o melhor da atualidade. “Posso facilmente cumprir outro contrato de três anos e acho que ainda consigo continuar outro ano. As pessoas perguntam o que me motiva... Quero sempre mais. Sempre quis ser como Senna, mas depois há novos objetivos. Quando penso em Fangio, cinco títulos parece-me muito bom. O Vettel também está perto, por isso se ele o conseguir, preciso de seis. Somos humanos e queremos sempre mais. Não há limites para o que conseguimos atingir. Os limites estão apenas na nossa cabeça.”