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Fórmula 1 acaba com as meninas da grelha de partida

É o fim de uma prática de décadas: o grupo que gere a competição-rainha do desporto automóvel não fecha aos olhos às mudanças que vão acontecendo no nosso mundo e resolveu deixar de utilizar as grid girls. "Não cremos que a prática seja apropriada ou relevante para a Fórmula 1 ou para os adeptos", sublinhou o diretor de operações comerciais da prova

Lídia Paralta Gomes

Lars Baron/Getty

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Está a ver a imagem que ilustra este texto? Veja bem, porque ela vai deixar de acontecer.

O mundo está a mudar e a Fórmula 1 quer fazer parte dessa mudança. E uma das instituições da competição-rainha do desporto automóvel, as grid girls ou seja, as meninas da grelha de partida, deixaram de fazer parte da nova Fórmula 1.

Pois é, o grupo norte-americano Liberty Media, que comprou a competição a Bernie Ecclestone em 2016, anunciou esta quarta-feira que a partir de 25 de março, data em que arranca a nova temporada da Fórmula 1, não haverá lugar para as grid girls nos circuitos, por a prática estar “em desacordo com as normas sociais atuais”.

“A utilização das meninas da grelha de partida tem sido uma imagem de marca dos grandes prémios de Fórmula 1 há décadas, mas acreditamos que este hábito não está de acordo com os valores da nossa marca. Não cremos que a prática seja apropriada ou relevante para a Fórmula 1 ou para os seus adeptos, mais antigos ou mais recentes”, sublinhou o diretor de operações comerciais da Fórmula 1.

Além de estarem presentes na grelha de partida antes do arranque de cada grande prémio, a segurar chapéus de sol para proteger os pilotos ou as placas que identificam os mesmos, marcas as grid girls eram usadas no paddock para eventos promocionais de marcas. Não serão mais, em nome de um desporto mais igual.

Mark Thompson/Getty

A Associação Profissional de Dardos já tinha avançado para uma medida similar, na semana passada, optando por deixar de usar modelos nos seus eventos.

Medida vista com bons olhos

Em tempos, Daniel Ricciardo, piloto da Red Bull, mostrou-se a favor das presença das grid girls no paddock, por fazerem “parte do espectáculo”. Mas a opinião não é transversal. O diretor do circuito de Silverstone, por exemplo, foi um dos primeiros a congratular a Fórmula 1 pela decisão. “Apoiamos absolutamente esta medida de deixar de usar as grid girls - é uma prática completamente ultrapassada que já não tem lugar no desporto”.

A Women’s Sport Trust, associação que se dedica a promover a igualdade no desporto, encorajou em comunicado outros desportos, como “o ciclismo, o boxe e o UFC a seguir a Fórmula 1 e os dardos” apoiando que estas modalidades “reconsiderem o uso de meninas do pódio ou nos ringues”.

“Isto não é uma luta feministas contra modelos, que parece ser a forma como as pessoas estão a ver este assunto. Estas mudanças estão a acontecer porque as organizações estão refletir sobre a forma como as mulheres devem ser valorizadas e representadas nos seus desportos em 2018. E merecem todo o crédito por isso”, frisa ainda o comunicado da Women’s Sport Trust.