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O poste (e o karma) travaram Cláudia Neto

Portugal quis e mereceu mais do que a Roménia, mas a 1ª mão do playoff de apuramento para o Europeu de 2017 terminou com um nulo. CN7 teve nos pés a oportunidade para deixar a Seleção Nacional em vantagem, mas não conseguiu concretizar uma grande penalidade que deixou muitas dúvidas. Tudo será decidido na terça-feira, em Cluj

Lídia Paralta Gomes

A estrela maior da Seleção Nacional falhou uma grande penalidade mas enquanto teve espaço distribuiu grandes pormenores técnicos no Restelo

Miguel A. Lopes/LUSA

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O povo sabe umas coisas e não está enganado quando diz que Deus escreve certo por linhas tortas. Sabemos que nem sempre a justiça é servida da forma mais ortodoxa. E também há aqueles dias em que a justiça nem sempre é servida da forma mais justa.

Parece confuso, não é? Nós explicamos.

Minuto 9 do Portugal-Roménia, 1ª mão do playoff de apuramento para o Europeu de 2017, Estádio do Restelo, em Lisboa. A defesa romena Corduneanu derruba Carolina Mendes fora da área e o árbitro aponta para a marca da grande penalidade. A decisão não é correta, nós sabemos, mas vem aí Cláudia Neto para nos colocar em vantagem. Em jogo está entrar a ganhar neste playoff que pode colocar Portugal pela primeira vez num Europeu de futebol feminino.

E por isso fizemos figas.

Mas a mais dotada das jogadoras portuguesas acerta em cheio no poste esquerdo. A bola vai depois embater nas costas da guardiã romena e está em vias de acontecer um daqueles azares dos guarda-redes que vão direitinhos para o YouTube quando Paraluta reage e agarra-a já na linha. Cláudia já tinha falhado uma grande penalidade frente à Irlanda, mas foi afoita em busca da recarga para fazer o golo que colocou Portugal no playoff. Mas esta sexta-feira o karma caiu sobre ela e sobre nós.

Deus tinha acabado de escrever direito por linhas tortas mas, bem vistas as coisas, fê-lo de forma injusta. Porque Portugal foi quase sempre a equipa mais perigosa - mesmo que nem sempre de forma esclarecida - e porque Cláudia Neto não merecia estar negativamente ligada ao momento-chave do jogo, que terminou empatado 0-0. O último bilhete para o Europeu da Holanda ficará então decidido na terça-feira, em Cluj.

Nem tudo correu bem, mas a verdade é que quando a bola chega a Cláudia Neto, algo acontece. Um passe bem medido, uma desmarcação, um espaço que de repente se cria, uma finta que troca as voltas a uma adversária. Assim foi até a Roménia perceber que tinha de colocar umas quantas polícias atrás de CN7.

Sem alerta amarelo

A Roménia, diga-se, chegou a Portugal com a clara intenção de não correr riscos, apesar de até ter sido a primeira equipa a chegar à área. Aos 4 minutos, Lunca aproveitou uma desatenção de Ana Borges para cruzar, com Voicu a falhar a finalização. Portugal demorou alguns minutos até acertar as marcações, mas a partir daí as romenas só criaram algum perigo em situações de contra-ataque. O alerta amarelo previsto para as 19h não apareceu nem no céu nem no relvado do Restelo.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Não houve alerta amarelo, mas a chuva que caiu antes do jogo acabou por deixar o campo pesado, pouco propício para Portugal desenvolver o ataque apoiado que lhe está no ADN. Portugal controlou, algumas iniciativas individuais de Cláudia Neto e Carolina Mendes ainda levantaram as vozes nas bancadas, mas nunca houve verdadeiro perigo para a baliza da sempre segura Andrea Paraluta.

Alguma emoção só nos minutos finais e nas duas balizas. Aos 89 minutos, Diana Silva, lançada por Francisco Neto na 2ª parte, conseguiu desenvencilhar-se de três adversárias mas rematou frouxo para as mãos de Paraluta. Na resposta, Laura Rus surgiu sozinha diante Patrícia Morais, mas a guardiã portuguesa fechou bem os caminhos da baliza.

Decisões na Roménia

A contabilidade de remates, 9 para Portugal, dois para a Roménia, mostra bem quem mais quis ganhar o jogo. Mas faltou a Portugal alguma imprevisibilidade e inspiração face a uma Roménia mais bem colocada no ranking mundial, mas que em tempo algum mostrou ser superior a Portugal.

E faltou aquele poste maldito não ter tirado o golo a Cláudia Neto.

  • Eis a nossa CN7: “As mulheres pensam melhor o jogo do que os homens”

    Entrevistas Tribuna

    Cláudia Neto tem sido a protagonista de uma seleção que hoje pode dar mais um passo de gigante na história do futebol feminino português, caso vença a Roménia, na 1ª mão do play-off que garante a 16ª e última vaga na fase final do Europeu 2017, a disputar na Holanda. A jogadora algarvia que domingo passado se sagrou campeã da Suécia faz um balanço da carreira e da qualificação e espera que às 18h45 o Restelo encha (entrada gratuita e transmissão TVI24) para apoiar uma equipa que, aconteça o que acontecer, “já está de parabéns”