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Primeiro jogador de Gales a chegar às 100 internacionalizações será uma mulher 

Jess Fishlock chega amanhã às 100 internacionalizações pelo País de Gales e já representou o seu país mais do que qualquer outra pessoa, homem ou mulher

Patrícia Gouveia

AMA/Getty Images

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100 internacionalizações pelo País de Gales e o nome do atleta que está prestes a alcançar este feito é Jess Fishlock. E, sim, é mulher.

A jogadora, que actua na posição de médio no Seattle Reign nos Estados Unidos, chegará amanhã à centena de internacionalizações pelo País de Gales. A selecção feminina vai jogar na Irlanda do Norte, em Ystrad Mynach, nos dias 5 e 7 de abril, em preparação para a qualificação do Campeonato do Mundo Feminino.

Jessica Fishlock, em entrevista ao Guardian, garantiu estar “incrivelmente orgulhosa”, mas sublinha que não é algo em que pense em demasia. Questionada sobre se a Associação de Futebol do País de Gales estava a planear fazer algo que marque a ocasião, a futebolista respondeu que não tem ideia, mas espera que a associação tenha essa intenção.

A jogadora, com as actuais 99 internacionalizações, já representou o seu país mais do que qualquer outra pessoa, homem ou mulher. Mais do que Neville Southall (92), Gary Speed (85), Craig Bellamy (78) e 33 vezes mais do que, Gareth Bale (66).

Jessica Fishlock quando jogava para o Melbourne City,

Jessica Fishlock quando jogava para o Melbourne City,

Darrian Traynor

“Quando jogo para o País de Gales, concentro-me puramente em fazer o melhor que posso para a equipa. Na quarta-feira será apenas mais um jogo”, diz a mulher de 30 anos. “Mas sim, reconheço que alcançar as 100 internacionalizações é uma conquista inacreditável.”

Na entrevista, Fishlock recordou o ponto mais baixo da carreira, quando há dois anos foi descartada pela então treinadora do País de Gales, Jayne Ludlow. “Na altura, não entendia porque tinha acontecido e definitivamente não estava pronta para ser posta de lado. Quebrou-me completamente", conta. Contudo, a jogadora reconhece que Jayne Ludlow fez “um trabalho fenomenal” pela equipa feminina do País de Gales. “Quando ela entrou, sentiu que precisava fazer mudanças no grupo. Era o seu direito e eu cresci para respeitar essa decisão”, refere a atleta galesa.

A jogadora em Melbourne, Australia

A jogadora em Melbourne, Australia

Michael Dodge

Fazendo uma retrospectiva a sua carreira, Jess recordou a altura em que juntou-se à equipa holandesa AZ Alkmaar, em 2008. Aquela que foi a melhor decisão que já tomou, garante. “Assinar pelo Alkmaar, sem dúvida, fez com que eu melhorasse como jogadora”, lembra.

Os dois anos em que esteve na Holanda contribuíram para melhorar a sua precisão, algo patrocinado por uma figura conhecida do Manchester United. “O Louis van Gaal orientou algumas das nossas sessões de treino. Ele foi treinador da equipa masculina na época e foi muito profissional no jogo feminino”, diz Jessica.

“As sessões dele começaram com uma rotina de passes básica, mas duraram séculos porque ele estava obcecado que eles fossem perfeitos. Ele gritava: 'Pare, volta ao início', se alguém fizesse algo que não fosse 100% certo. Nunca vi ninguém dar tanta atenção aos detalhes como ele. Foi inspirador. Falei com ele algumas vezes e foi muito bom. O conhecimento de futebol que Van Gaal tem é insanamente bom”, concluiu a jogadora.

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