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Futebol feminino

AEM de Lleida: as raparigas que venceram o campeonato masculino

Como é a equipa que marca mais e defende melhor do que qualquer outra no seu campeonato?

Sónia Santos Costa e Patrícia Gouveia

A AEM de Lleida a celebrar o título.

DR

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“This is a man's world/ But it wouldn't be nothing without a woman or a girl." Já James Brown o cantava e estas espanholas confirmaram-no. Têm entre os 12 e os 14 anos, são apaixonadas pela bola e, na semana passada, sagraram-se campeãs da Liga de Segunda - torneio infantil catalão - com quatro jornadas de antecedência e depois de competirem exclusivamente contra equipas masculinas.

O seu treinador, Dani Rodrigo, afirma que estas raparigas têm uma paixão fora do comum por este desporto . “Treinamos três vezes por semana. No entanto, se lhes marcar cinco treinos, aparecem. E motivadas. VIvem para o futebol e essa tem sido a chave do seu êxito”.

Dani Rodrigo começou a sua carreira a dirigir equipas formadas por homens, mas há cerca de 4 anos mudou-se para o futebol feminino. Aponta algumas diferenças entre os géneros,, já que não sua opinião “as raparigas são mais constantes e trabalhadoras”. “Se lhes dizes que é branco, é branco. Trabalham como uma equipa. São um grupo fechado e que se apoia entre si, solidárias. Os rapazes mostram-se mais anárquicos e individualistas.”, revela o treinador ao jornal espanhol El País.

As jovens atletas podem não estar cientes do enorme feito que atingiram. “Elas jogam porque gostam, e ganham. A força física pode constituir uma limitação mas, na hora de competir, mostram outras virtudes como a técnica apurada. Não têm noção de que estão a quebrar tabus. Provaram como raparigas podem ganhar a rapazes. Disse-lhes no balneário, quando celebrávamos, que as próximas gerações de meninas se vão focar nelas como exemplo de que são capazes!”

O clube conta com 110 atletas federadas e seis equipas femininas, uma delas a competir na Segunda Divisão Nacional. São a única equipa totalmente constituída por raparigas na Catalunha. No início, esta decisão foi encarada com alguma desconfiança e até comentários maldosos. “DIziam-nos que estávamos loucos, porque elas perdiam sempre!”, recorda Dani Rodrigo.

Mas esse tempo de derrotas foi há três anos. Na temporada que se seguiu, acabaram em terceiro e esta época conseguiram números exemplares: ganharam 19 jogos , empataram dois e perderam só um dos 22 partidas disputados. Com 93 golos marcados e apenas 25 sofridos.

Isto dá uma média de 4,22 golos por jogo e resulta no título de melhor ataque da liga. A melhor defesa também é das raparigas - e a melhor marcadora é Andrea Gómez, que disparou 37 tiros certeiros em 21 encontros.