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Uma a uma, todas as equipas do Europeu de futebol feminino

A Tribuna Expresso participou numa iniciativa do The Guardian, jornal britânico que pediu a jornalistas de cada um dos 16 países que vão jogar o Europeu de futebol feminino, na Holanda, um mini-raio-x da sua equipa. O resultado é um guia das seleções que, a partir de domingo, entram em competição

Expresso

FILIPE FARINHA/STILLS

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Grupo A

Bélgica

A equipa belga - apelidada de “As Chamas Vermelhas” - já fez história este verão, ao conseguir o ranking da FIFA mais alto de sempre, um 22º lugar. A 16 de julho, vai fazer história de novo, ao jogar no seu primeiro torneio internacional, depois de anos a falhar nas qualificações.

A Bélgica joga num 4-4-2 relativamente convencional, com duas linhas de quatro no apoio às duas melhores jogadoras, as avançado Janice Cayman e Tessa Wullaert, que têm 50 golos entre elas. Tine de Caigny, de 20 anos, que por norma joga como defesa central, tem sido utilizada a meio campo, para acrescentar algum “aço” à equipa, enquanto a capitã, Aline Zeler, que antes ser uma atacante, vai liderar a partir da defesa.

Com derrotas frente à França e à Espanha na preparação para o Europeu, a Bélgica viajará para a Holanda sabendo que são outsiders para seguirem em frente na fase de grupos. A experiência de jogarem o seu primeiro Europeu, contudo, servirá como uma boa base para construir coisas para o futuro.
Por Priya Ramesh, jornalista freelancer

Onze provável (4-4-2): Odeurs; Courtois, Zeler, Jaques, Coutereels; Biesmans, De Caigny, van Wynendaele, van Gorp; Cayman, Wullaert.

Christof Koepsel

Dinamarca

Esta é uma equipa atacante, que joga numa formação de 3-4-3, com ênfase nas alas, particularmente na esquerda, onde Line Røddik, lateral do Barcelona, e Katrine Veje, que acabou de se juntar ao Montpellier, são capazes de pôr de pé atrás a melhor das defesas. A jogadora-chave é Pernille Harder, do Wolfsburgo. É uma mastermind atacante da equipa e também, sem dúvida, a jogadora mais trabalhadora. É tão boa a inventar oportunidades de golo para as companheiras, como a marcá-los. É uma jogadora completa e uma especialista na marcação de livres.

A abordagem do novo treinador, Nils Nielsen, significa que é provável que as dinamarquesas criem muitas oportunidades de golo no Europeu - mas isso pode torná-las vulneráveis a contra-ataques. O principal ponto fraco da equipa é o facto de poderem ser pressionadas a cometer erros na defesa, especialmente por equipas que sejam fisicamente mais fortes.
Por Jesper Engmann, Jyllands-Posten.

Onze provável (3-4-3): Stina Lykke; Simone Boye, Janni Arnth Jensen, Line Røddik; Theresa Nielsen, Nanna Christiansen, Line Sigvardsen Jensen, Katrine Veje; Sanne Troelsgaard, Pernille Harder, Nadia Nadim.

Octavio Passos

Holanda

A pressão e o privilégio de serem as anfitriãs não são tudo para as jogadoras holandesas, como Mandy van den Berg, a capitã, realçou há dias - este torneio é também uma oportunidade para recolher apoio para o futebol feminino no país.

Os hábitos com a treinadora Sarina Weigman, que, em 2001, se tornou na primeira jogadora holandesa a chegar às 100 internacionalizações, é atacar com ímpeto, sobretudo pelos flancos. Mesmo que a lesão de Tessel Middag seja golpe no meio campo, as quatro atacantes estelares vão querer impressionar. Danielle van de Donk procurará furar linhas adversárias com a sua capacidade de passe. Lieke Martens e Shanice van de Sanden, as extremos, são igualmente proficientes a construir ataques e a finalizá-los.

A luz dos holofotes estará em Vivianne Miedema, avançado que celebrará 21 anos no dia anterior à estreia no Europeu, contra a Noruega. Ainda assim, é fácil esquecer a idade que tem, dado que já tem 50 internacionalizações e 39 golos em seu nome, na seleção. Apesar de ter lidado mal com as expetativas no Mundial de 2015, Miedema regressa agora à cena internacional com mais experiência e maturidades, depois de três épocas no Bayern de Munique.

Miedema, uma avançado incrivelmente dotada e que acaba de assinar pelo Arsenal, vai querer replicar a prestação que teve no Europeu sub-19, em 2014, no qual conduziu a seleção à vitória com seis golos marcados, incluindo o da vitória na final, contra a Espanha.
Por Priya Ramesh, jornalista freelancer

Onze provável (4-3-3): Van Veenendaal; van Lunteren, Dekker, Van den Berg, Van Es; Spitse, Van de Donk, Groenen; Martens, Miedema, Van de Sanden.

Getty Images

Noruega

A Noruega chega ao torneio com um novo treinador, o sueco Martin Sjogren, e espera-se que tenham uma abordagem diferente aos jogos, em comparação com anos anteriores.

A seleção norueguesa tinha vindo a atuar com um jogo direto, normalmente em 4-3-3 ou em 4-5-1, em que uma médio mais recuada tem a responsabilidade de manter o equilíbrio da equipa, com as outras duas jogadores do meio campo a comportarem-se como box-to-box. As extremos, tradicionalmente, têm sido jogadoras rápidas, instruídas a atacarem o espaço nas costas da linha defensiva adversária, imediatamente após a equipa recuperar a bola.

O novo treinador alterou a formação mais habitual e tem preferido um 4-3-1-2 mais curto, em que não há extremos típicos e o existe um maior foco em fazer a bola chegar a Caroline Graham-Hansen, a número 10, no espaço entre as linhas do meio campo e da defesa adversárias. Sjogren também tentou que a equipa tivesse mais posse de bola. Além de Graham-Hansen, as jogadoras-chave são Ingrid Hjelmseth, a guarda-redes, Maren Mjelde, a capitã que pode jogar na defesa e no meio campo, e Ada hegerberg, a avançado.
Por Lise Klaveness

Onze provável (4-3-2-1): Ingrid Hjemseth; Ingrid Moe Wold, Maren Mjelde, Nora Holstad Berge, Elise Thorsnes; Ingvild Isaksen, Guro Reiten, Ingrid Schjeldrup; Caroline Graham Hansen; Kristine Minde, Ada Hegerberg

Getty Images

Grupo B

Alemanha

A seleção a bater. A Alemanha já ganhou o Europeu por oito vezes e, ainda mais incrível, venceu os últimos seis. Por outras palavras: nenhuma outra equipa conquista a prova desde 1995. Ao que acrescentaram, o ano passado, a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. A equipa mudou um pouco desde a vitória no Rio de Janeiro, mas a treinadora, Steffi Jones, diz: “Queremos ganhar o Europeu outra vez. Tenho um plantel sensacional e as únicas que nos podem vencer somos nós próprias”.

Jogadoras importantes, como Saskia Bartusiak, Melanie Behringer, Simone Laudehr e Annike Krahn, ou saíram da equipa, ou estão lesionadas, mas há várias jogadores jovens prontas a assumirem os lugares.

Dzsenifer Marozsan, médio centro do Lyon, e capitã de equipa, é “a melhor jogadora do mundo”, segundo a selecionadora. É tremendamente importante para a equipa e foi, como tantas vezes é, a melhor jogadora em campo quando a Alemanha bateu o Brasil, por 3-1, no derradeiro jogo particular antes do torneio. Jogando num 4-4-2, a força da equipa está na preferência em jogar com estilo de tiki-taka, um futebol mais técnico, com o ônus no jogo ofensivo. Elas falham demasiadas oportunidades de golo, mas seria uma surpresa se não vencessem o Campeonato da Europa, outra vez.
Por Marc Schmidt, Bild

Onze provável (4-4-2): Schult; Maier, Henning, Peter, Kerschowski; Dallmann, Magull, Marozsán, Däbritz; Kayikci, Mittag.

Rob Carr

Itália

Como esperariam de uma equipa italiana, esta baseia-se na solidez defensiva. Antonio Cabrini, um antigo defesa e internacional italiano, compôs uma seleção com uma boa mistura de jogadores jovens e mais velhas, capazes de jogar em 4-4-2 ou em 4-3-3. Daniela Stracchi e a capitã; Melania Gabbiadini, nasceram ambas em 1983, enquanto, do outro lado do espetro, está Manuela Giuliano, de 19 anos, que joga no AGSM Verona.

Elisa Bartoli, Sara Gama e Elena Linari são as três pilares na defesa. São jogadoras muito disciplinadas taticamente, que mantêm as suas linhas de três, ou de quatro, durante os jogos. Gabbiadini, a carismática capitã, está pronta a liderar a equipa no torneio. A Itália também pode contar, na frente, com Ilaria Mauro e Cristiana Girelli, profícuas goleadoras. Alia Guagni e Giuliano, da Fiorentina, e Barbara Bonansea, do Brescia, são jogadoras-chave para implementar o estilo de jogo de Cabrini a meio campo.

A equipa sente que têm hipótese de seguir em frente na fase de grupos, apesar de ter tido o mais complicado dos sorteios.
Por Francesa Fumagalli, Calcio Femminile Italiano

Onze provável (4-4-2): Chiara Marchitelli; Sara Gama, Elena Linari, Cecilia Salvai and Elisa Bartoli; Martina Rosucci, Manuela Giuliano, Barbara Bonansea and Alia Guagni; Melania Gabbiadini, Ilaria Mauro.

Tullio M. Puglia

Rússia

A Rússia não se qualificou para o Mundial de 2015 ou para os Jogos Olímpicos de 2016, como tal, era muito importante que o país chegasse ao Europeu de 2017. A selecionadora, Elena Fomina, até disse que os desempenhos recentes, e pobres, nas qualificações, podiam ajudar a fazer das russas as underdogs na Holanda - e que as outras equipas as subestimassem.

Em 2015, Fomina tornou-se na primeira russa a ser escolhida para treinadora da seleção nacional. A equipa atual, que pode jogar em 4-3-3 ou 4-2-3-1, é uma boa mescla de juventude e experiência. Quatro das principais jogadoras (Elena Danilova, Elena Morozova, Anna Kozhnikova e Ekaterina Sochneva) têm mais de 30 anos, sem contar com Elvira Todua, a experiência guarda-redes que vai falhar o torneio devido a uma lesão. “Sabemos que esta geração vai retirar-se daqui a pouco tempo”, disse Fomina, recentemente. “Mas elas sabem como vencer em grandes competições, porque conquistaram o Europeu sub-19, em 2005”, lembrou.

Algumas jovens foram convocadas para este Europeu de 2017. A avançado Nadezhda Karpova, de 22 anos, é a estrela mais brilhante e foi incluída na “Messi Team”, pelo próprio Messi, o ano passado. A lista continha os 10 jovens mais talentosos e promissores do mundo, e Karpova foi a única mulher a ser escolhida. Fomina diz que o principal objetivo é atingir a fase a eliminar, mas acrescenta que a equipa ainda não está na melhor forma, apesar do recent bom resultado frente à Sérvia.
Por Maria Makarova, Match TV

Onze provável (4-3-3): Shcherbak; Ziyastinova, Kozhnikova, Makarenko, Solodkaya; Sochneva, Cholovyaga, Pantyukhina; Danilova, Karpova, Chernomyrdina.

Tim Warner

Suécia

Este será o último torneio em que Pia Sundhage estará à frente da equipa e a treinadora acredita que isso poderá ser uma vantagem: “Faz com que aprecies mais o agora e sentes-te agradecida pela aventura pela qual passaste. É um sentimento que cria muita energia”.

Espera-se que a Suécia seja mais ofensiva do que foi nos Jogos Olímpicos, em que terminaram no segundo lugar. A sua movimentação ofensiva preferida é usar passes em rutura, pelo centro, ou atacar o adversário pelos flancos. Caso esteja em boa forma, Hedvig Lindahl, a guarda-redes, é muito importante, e Caroline Seger é o coração da equipa. Sundhage tem dito que se as coisas não estiverem a sair a Seger, toda a equipa vai sofrer.

Esta equipa está junta há muito tempo e espera ir até ao fim na Holanda. A única fraqueza é que são um pouco previsíveis no ataque e, portanto, não marcam tantos golos como deveria.
Por Fredrik Jönsson, Aftonbladet

Onze provável (4-4-2): Hedvig Lindahl; Jessica Samuelsson, Nilla Fischer, Linda Sembrant, Jonna Andersson; Kosovare Asllani, Lisa Dahlkvist, Caroline Seger, Olivia Schough; Lotta Schelin, Fridolina Rolfö.

Nils Petter Nilsson/Ombrello

Grupo C

Áustria

Uma das forças da Áustria é a forma como é muito flexível e pode jogar em várias formações. Por norma, durante a qualificação, jogou em 4-3-3, mas as jogadoras podem facilmente trocar para um 5-3-2 ou um 4-4-2. A Áustria não tem uma estrela, à volta de quem tudo gira, mas tem algumas jogadoras importantes.

As duas defesas centrais, Viktoria Schnaderbeck, que também é a capitã, e Carina Wenninger, que jogam ambas no Bayern de Munique. As médios Sarah Zadrazil e Laura Feiersinger e a guarda-redes, Manuela Zinsberger, estão entre as jogadoras centrais e a equipa iria passar por dificuldades se não pudesse contar com a sua número um da baliza.

A seleção austríaca depende de Nicole Billa e Nina Burger para ter golos e vai para a Holanda com a moral em alta, devido aos progressos que têm feito em anos recentes. A forma como pressionam é fundamental, assim como a forma de treinar de Dominik Thalhammer. A única crítica que pode ser apontada é que a equipa precisa de muitas oportunidades para marcar um golo.
Por Birgit Riezinger, Der Standard

Onze provável (4-3-3): Manuela Zinsberger; Viktoria Schnaderbeck, Carina Wenninger, Virginia Kirchberger, Verena Aschauer; Sarah Puntigam, Sarah Zadrazil, Nicole Billa; Laura Feiersinger, Lisa Makas, Nina Burger.

Jan Hetfleisch

França

Este será o sexto Campeonato da Europa para as francesas, que lá vão chegar com bom espírito e um treinador novo, assim-assim. Olivier Echouafani, de 46 anos, sucedeu a Philippe Bergeroo, em setembro de 2016, e assegurou-se que a sua equipa tente ter a maior percentagem de posse de bola possível.

Esta nova França é muito flexível e pode jogar em vários sistemas, mas, sobretudo, em 4-4-2 ou 4-3-3. As franceses confiam em muitas jogadores importante e a espinha dorsal da equipa é composta por várias membros do Lyon, que venceu a final da Liga dos Campeões na última época, em Cardiff. A capitã, Wendie Renard, é muitas vezes considerada uma das melhores, senão a melhor, defesa do mundo.

As duas avançados, Marie-Laurie Delie (Paris Saint-Germain) e Eugénie Le Sommer (Lyon) marcaram 65 e 60 golos pela seleção, respetivamente - e não são apenas goleadoras, porque ambas também são muito boas a construir oportunidades de golos para companheiras de equipa. Amandine Henry, médio que está sediada nos Estados Unidos (Portland Thorns) é uma chave na manobra da equipa e tem capacidade para marcar golos a longa distância da baliza.

Por tradição, Les Bleus não sofrem muitos golos, mas o problema é que também não marcam muitos, apesar de terem uma fatia de leão da posse de bola. É uma das razões pelas quais não foram além dos quartos-de-final no Europeu de 2013, no Mundial de 2015 e dos Jogos Olímpicos do ano passado.
Por Franck Simon, France Football

Onze provável (4-4-2): Sarah Bouhaddi; Jessica Houara D’Hommeaux, Laura Georges, Wendie Renard, Eve Périsset; Grace Geyoro, Amandine Henry, Elise Bussaglia, Camille Abily; Eugénie Le Sommer, Marie-Laure Delie.

DOMINICK REUTER

Islândia

A Islândia chega ao torneio muitos adeptos a seguirem-na - garantindo que o cântico Viking [sim, aquele do Europeu] tenha tempo de antena na Holanda - e uma nova abordagem tática. Freyr Alexandersson, o treinador, tem sido forçado a mudar do 4-3-3 para o 3-4-3 para lidar com as muitas lesões que a equipa tem sofrido durante o estágio de preparação.

Qualquer que seja o sistema, porém, a união da equipa estará sempre no centro de tudo. Elas atacam juntas e defendem juntas. Levará algum tempo até as jogadoras estarem completamente confortáveis com a nova formação, mas, pelo menos, têm a sua estrela, Sara Björk Gunnarsdóttir - que conseguiu o bis com o Wofsburgo, na última época - a orientar o espetáculo no meio campo.
Por Andri Yrkill Valsson, Morgunbladid

Onze provável (3-4-3): Gudbjörg Gunnarsdóttir; Glódís Perla Viggósdóttir, Sif Atladóttir, Anna Björk Kristjánsdóttir; Gunnhildur Yrsa Jónsdóttir, Sara Björk Gunnarsdóttir, Dagný Brynjarsdóttir, Hallbera Gísladóttir; Elín Metta Jensen, Katrín Ásbjörnsdóttir, Fanndís Fridriksdóttir.

Getty Images

Suíça

É a primeira vez que a Suíça alcança um Campeonato da Europa, mas, tendo-o feito com oito vitórias nos oitos jogos da fase de qualificação, estão a apontar para cima. Martina Voss-Tecklenburg, a treinadora, prefere jogar em 4-1-3-2 ou em 4-4-2, com Ramona Bachmann, avançado do Chelsea, a ser a jogadora-alvo em ambas as formações. “O nosso plantel tem uma mistura muita boa entre juventude e experiência, desde os 18 anos de Géraldine Reuteler até às jogadoras com mais de 30”, resumiu Voss-Tecklenburg, ao revelar a convocatória.

A equipa tem um grande potencial ao partir para o ataque, com Lara Dickenmann, avançado, a apoiar Bachmann na frente. Jogadoras como Ana Maria Crnogorcevic, do Frankfurt, também pode providenciar golos, mesmo que jogue como lateral direito na seleção. Lia Wälti, do Potsdam, e as recordistas suíças, Caroline Abbé e Martina Moser (ambas com 126 internacionalizações), também têm papéis fundamentais a desempenhar.

Tudo parece ser prometedor, mas as jogadores têm que provar que conseguem dar o melhor de si nos grandes palcos.
Por Matthias Dubach, Blick

Onze provável (4-1-3-2): Thalmann; Crnogorcevic, Abbé, Kiwic, Rinast; Wälti; Terchoun, Moser, Dickenmann; Bachmann, Humm.

Giuseppe Bellini

Grupo D

Inglaterra

Após exceder as expetativas no Mundial de 2015, no Canadá, onde bateram a Alemanha no jogo do terceiro e quarto lugares, a equipa de Mark Sampson acredita que pode vencer o Europeu de 2017. Grande apologista da rotatividade - tanto de jogadoras, como de posições -, o treinador galês, de 34 anos, é taticamente inteligente e corajoso.

Sendo todas profissionais a tempo inteiro, as jogadoras nunca estiveram tão em forma e, fora de campo, há um verdadeiro sentimento de união. A omissão de Eni Aluko, goleadora do Chelsea, e a recente substituição de Marieanne Spacey, sua adjunta de longa data, podem ter feito levantar algumas sobrancelhas.

Mas jogadoras dotadas, como Karen Carney, Jordan Nobbs, Fara Williams, Lucy Bronze e Toni Duggan, já contratada pelo Barcelona, são capaz de erguer as Leoas a novas alturas.
Por Louise Taylor, The Guardian

Onze provável (4-3-3): Chamberlain; Bronze, Houghton, Bassett Stokes; Williams, Nobbs, Moore; Carney, Taylor, Duggan

Michael Regan

Portugal

Após um ano glorioso para a seleção masculina que, inesperadamente, se tornou campeã europeia, as portuguesas estão preparadas para seguir o exemplo dos seus conterrâneos. Isso significa que vão ganhar o Europeu? Obviamente que não (com tanta certeza quanto a que é possível ter, no futebol), pois esta é a primeira vez que chegam à fase final. Mas o facto de não estarem sob qualquer tipo de pressão poderá dar-lhes a plataforma para surpreenderem algumas pessoas.

O 4-4-2 losango que foi utilizado durante a qualificação continuará a ser visto, assim como uma abordagem defensiva e muito organizado aos jogos, sempre à procura de transições rápidas para o ataque. Especialmente através da capitã, Cláudia Neto, médio do Linköping, da Suécia, mas joga como avançado na seleção.
Por Mariana Cabral, Expresso

Onze provável (4-4-2): Patrícia Morais; Matilde Fidalgo, Carole Costa, Sílvia Rebelo, Ana Borges; Suzane Pires, Dolores Silva (como 6 no losango), Ana Leite (como 10), Amanda da Costa; Cláudia Neto, Diana Silva.

Filipe Farinha

Escócia

A equipa de Anna Signeul chega à fase final de uma grande competição pela primeira vez, mas terá de lidar com a ausência de três das suas melhores jogadoras, que estão lesionadas - Kim Little, do Arsenal, Jen Beattie, do Manchester City, e Lizzie Arnott, do Hibernian.

A preparação para o torneio foi posta em segundo plano devido a uma disputa, recentemente resolvida, relativa “ao respeito e recompensas financeiras” entre as jogadoras - metade das quais joga na Escócia e, muitas vezes, tem de conciliar o futebol com empregos a tempo inteiro - e a federação escocesa.

Signeul, sueca, de 56 anos, que será a próxima selecionador da Finlândia, em setembro, é uma treinadora flexível taticamente. Estará particularmente dependente, entre outras, em Gemma Fay, a veterana guarda-redes feita atriz, Ifeome Dieke, defesa com um fiel percurso na seleção, e Jane Ross, avançado do Manchester City.
Por Louise Taylor, The Guardian

Onze provável (4-4-2): Fay; Barsley, Dieke, Lauder, Frankie Brown; Weir, Crichton, Cuthbert, L Ross; Fiona Brown, J Ross.

FLORIAN CHOBLET

Espanha

O futebol feminino está em altas em Espanha. Em 2003, a Federação de Futebol Espanha registava perto de 10 mil jogadoras - hoje, são mais de 50 mil. O futebol profissional já não é algo assim tão distante e a seleção espanhola tem evoluído, notavelmente, durante os últimos anos.

A Espanha qualificou-se pela primeira vez para um Mundial, em 2015, mas a prestação da equipa no Canadá foi pobre. Foram eliminadas na fase de grupos, com um ponto conquistado em nove possíveis. Ignacio Quereda, o selecionador, que estava à frente da equipa há 27 anos, foi demitido depois de uma conferência de imprensa em que as jogadoras denunciaram os seus métodos antiquados e a sua falta de planeamento.

Jorge Vilda substituiu-o e os resultados da equipa têm melhorado desde então - venceram todos os jogos de qualificação para este Europeu, que arranca a 16 de julho, na Holanda. No entanto, a decisão de Vilde de excluir Vero Boquete, a histórica capitã da seleção, e Sonia Bermúdez, uma avançado com nome, da convocatória, causou alguma surpresa.

A seleção espanhola joga tradicionalmente num 5-3-2, que se transforma num 3-5-2 quando as alas avançam no campo durante as ações ofensivas. Espera-se que Jennifer Hermoso, a estrela e avançado, lidere a equipa este verão. Terminou a liga espanhola como melhor marcadora, com 35 golos pelo Barcelona, e assinou recentemente pelo Paris Saint-Germain.

O objetivo da Espanha é avançar até aos quartos-de-final. Não seria realista esperar muito mais do que isto de uma equipa que ainda precisa de provar que está entre as melhores da Europa.
Por Dani Terra Ibáñez, Catalunya Ràdio e Sports.ru

Onze provável (5-3-2): Sandra Paños; Marta Torrejón, Irene Paredes, Ivana Andrés, Mapi León, Leila Ouahabi; Amanda Sampedro, Silvia Meseguer, Alexia Putellas; Jennifer Hermoso and Olga García.

FRANCISCO LEONG

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