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O fim do reinado alemão e outros factos do Europeu feminino

Quatro equipas estão na luta pela sucessão à Alemanha, a hexacampeã que este domingo ficou pelo caminho no Europeu feminino. Confira o percurso das semifinalistas e factos e figuras do torneio que já é o mais visto da história da competição

Filipa Silva

A Alemanha venceu as últimas seis edições do Europeu de Futebol feminino

Maja Hitij

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O facto: o fim da era alemã

Alguma vez tinha que acontecer, e foi na Holanda que a era de domínio da Alemanha no Europeu feminino terminou ou, pelo menos, encontrou um intervalo.

O “reinado” das alemãs levava 22 anos. Mais precisamente 8162 dias. O título de campeãs europeias pertencia-lhes desde março de 1995.

As alemãs detinham nada menos que seis títulos consecutivos neste torneio e oito no total, em 10 participações. Só a Noruega (por duas vezes) e a Suécia (uma) constam de um quadro onde as germânicas são a constante. Em 2017, está tudo em aberto, sendo certo que a prova vai ter uma nova seleção campeã.

A Alemanha entrou no Euro a empatar sem golos, diante da Suécia. Depois vieram duas vitórias frente à Itália (2-1) e à Rússia (2-0). Mas da Alemanha soava o alarme: três dos quatro golos marcados, foram-no de pénalti.

Este domingo, diante da Dinamarca, a equipa campeã em título marcou primeiro mas foi ultrapassada. A técnica das alemãs, Steffi Jones, assume que está a tentar implementar um novo estilo na equipa. Agora será tempo de avaliar o que correu mal.

Figuras: Jodie Taylor

Jodie Taylor, a avançada inglesa de 31 anos, que é internacional apenas desde os 28 (a fazer lembrar Vardy, na seleção masculina), leva já cinco golos marcados e está a um de igualar o melhor registo já conseguido na fase final de um torneio.

JodieTaylor marcou o terceiro Hat-trickda história dos Europeus contra a Escócia.

JodieTaylor marcou o terceiro Hat-trickda história dos Europeus contra a Escócia.

Dean Mouhtaropoulos

O último dos golos que assinou foi o carimbo das britânicas para as meias-finais diante de um adversário, a França, que as Lionesses não venciam desde 1974.

Jodie está na frente da luta pela bota de ouro do torneio, mas uma coisa já ninguém lhe tira da bagagem: o hat-trick que marcou à Escócia, um dos três únicos da história do Europeu. O último foi marcado em 1997.

Jodie Taylor, que agora alinha pelo Arsenal, já jogou em mais de uma dezena de clubes, um pouco por todo o mundo: do Sydney FC ao Washington Spirit, passando pelo Gotemburgo e pelos Boston Renegades até aos Ottawa Fury Women (sim, é mesmo esse o nome).

Outros factos

  • O Europeu feminino que decorre na Holanda é já o mais visto da história do torneio dentro e fora dos estádios;
  • Nos estádios, os jogos da equipa anfitriã esgotaram e são até aqui os mais concorridos. Foi mesmo batido o recorde de assistência de um jogo de futebol feminino na Holanda, com 21.700 espectadores no encontro de abertura com a Noruega;
  • Nas audiências televisivas também há motivo para organização e patrocinadores sorrirem: no conjunto de todos os jogos transmitidos, foi alcançada uma audiência de 81,5 milhões de espectadores, superando o número final de 2013, fixado nos 60,8 milhões; E ainda há três jogos por realizar;
  • Neste Europeu, estrearam-se cinco seleções, entre as quais a de Portugal, mas também as da Áustria, Bélgica, Escócia e Suíça, tendo todas ganho pelo menos um encontro;
Portugal foi uma das cinco seleções que este ano se estreou na fase final do Europeu de Futebol feminino.

Portugal foi uma das cinco seleções que este ano se estreou na fase final do Europeu de Futebol feminino.

Maja Hitij

  • A Noruega, detentora de dois europeus, foi eliminada na fase de grupos pela primeira vez em 20 anos, e sai sem um único ponto conquistado;
  • Desde 1993 que o Europeu de Futebol feminino não conhece um novo finalista. A Itália foi a última a intrometer-se entre a Alemanha, a Noruega, a Suécia e a Inglaterra. A Áustria, a Dinamarca e a Holanda jogam esta quinta-feira por um lugar nesta história.

As meias-finais

Holanda x Inglaterra (19h45, Eurosport)

As duas equipas chegam invencíveis a esta fase da competição. A Holanda, a jogar em casa, abriu a surpreender derrotando no primeiro jogo a Noruega, finalista vencida da edição passada e uma da seleções com mais história torneio.

As holandesas prosseguiram a fase de grupos sem deslizes, num grupo muito equilibrado, no qual se apurou também a Dinamarca.

Nos quartos de final, a equipa comandada por Sarina Wiegman encontrou e derrotou a Suécia, semi-finalista da edição passada e uma das três únicas seleções que detêm um título europeu no futebol feminino.

A Inglaterra chega a este jogo também com um registo 100% vencedor. Nele está incluído a maior goleada de fases finais de um Europeu de Futebol feminino - os 6-0 sobre a Escócia - e ainda as vitórias sobre Espanha (2-0) e Portugal (2-1).

Nos quartos de final, derrotou a França com Jodie Taylor, uma das protagonistas deste Europeu, a ser decisiva com o quinto golo da conta pessoal. Já fez história, mas vai a tempo de fazer ainda mais.

É o reencontro de duas seleções que se cruzaram justamente nesta fase da prova em 2009, com a vitória a sorrir às inglesas (2-1 no prolongamento) frente a uma Holanda que nesse ano se estreava em fases finais da competição.

A Holanda procura ser a quinta anfitriã a ganhar o torneio, depois de a Noruega o ter feito uma vez (1987) e a Alemanha por três vezes (1989; 1995; 2001).

A Inglaterra é a única finalista do torneio a marcar presença nesta fase da prova. Leva a vantagem da história do torneio e do histórico dos confrontos diretos entre as duas equipas, mas só o jogo de quinta-feira marcado para o Estádio do Twente, em Enschede, dirá quem segue em frente.

Dinamarca x Áustria (17h00, Eurosport)

Vença quem vencer, está garantido que a equipa que sair deste Dinamarca x Áustria vai estrear-se na condição de finalista do Europeu feminino.

A Dinamarca chegou aos quartos de final com uma derrota na fase de grupos diante da anfitriã Holanda, e duas vitórias por 1-0 (Bélgica e Noruega). Nos quartos de final, as dinamarquesas fizeram história ao afastar a equipa que dominou as últimas duas décadas do futebol europeu, a Alemanha, com uma vitória por 2-1.

A Áustria terminou a fase de grupos na liderança, na sequência de vitórias sobre a Suíça (1-0) e a Islândia (3-0) e de um empate a uma bola com a França.

As dinamarquesas têm a seu favor a grande experiência na competição - a Áustria chegou pela primeira vez à fase final do Euro -, mas combatem também a “síndrome” das meias-finais, onde foram eliminadas por cinco vezes. Encontro marcado para o Estádio Rat Verlegh, em Breda.