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O primeiro jogo europeu do Sporting no feminino. “É difícil colocar por palavras o que sinto neste momento”

As campeãs nacionais femininas de futebol começam, esta terça-feira, na Hungria, uma viagem que tem como destino o topo do futebol europeu. À Tribuna Expresso, Solange Carvalhas confessa estar “a viver um sonho”. O caminho não é curto nem se espera ligeiro, mas as “leoas” estão motivadas para continuar a fazer história, agora na Liga dos Campeões

FILIPA SILVA

As campeãs do Sporting em ano de estreia no campeonato nacional sénior feminino.

Sporting CP

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“Ansiosas e motivadas”. É assim que Solange Carvalhas, capitã da equipa de futebol feminino do Sporting, nos introduz o estado de alma do coletivo que integra. A ansiedade respeita-se. Afinal, é a primeira vez que o Sporting disputa uma competição europeia. A motivação, também, não tivesse a equipa de Nuno Cristóvão realizado “uma época perfeita”, com a conquista da Liga Allianz e da Taça de Portugal em ano de estreia na modalidade.

Em resultado disso, as “leoas” passaram de duas para quatro frentes de batalha: três internas (Liga, Taça e Supertaça) e uma ao nível europeu (Liga dos Campeões). É nesta última que a equipa avança, esta terça-feira, em busca de resultados nunca antes festejados.

Vinte e uma equipas europeias já têm um lugar garantido nos 16 avos de final da Liga dos Campeões feminina, por serem de campeonatos com melhor ranking na UEFA. A estas vão juntar-se mais 11 e é neste lote que as portuguesas querem entrar. Há 40 equipas na liça, divididas por grupos de quatro.

O grupo de qualificação do Sporting vai disputar-se na Hungria, com o primeiro jogo a ser jogado hoje, o segundo na sexta-feira e o terceiro na segunda-feira. Passam diretamente para os 16 avos de final todas as equipas que vencerem o respetivo grupo e ainda a segunda melhor classificada de todos os grupos (sendo que para esta conta apenas são considerados os resultados contra o 1º e 3º classificados do grupo).

Até hoje, só uma equipa portuguesa conseguiu o apuramento para a fase a eliminar da competição: o Atlético Ouriense, há três épocas. Conseguirá o Sporting igualar o feito? Solange Carvalhas acredita que sim e acredita em mais, como partilhou à Tribuna Expresso (pode ler mais abaixo a entrevista).

A equipa feminina do Sporting para 2017/18

A equipa feminina do Sporting para 2017/18

DR

Entre a realidade e o sonho, estão três jogos do futebol. O primeiro, como se disse, joga-se hoje, a partir das 16h00 portuguesas - todos os jogos serão disputados a esta hora (a Sporting TV irá transmitir os jogos, mas em diferido) - diante do BIIK-Kazygurt, do Cazaquistão. Que a geografia afastada do epicentro do futebol europeu não engane: as cazaques chegaram aos oitavos de final da prova no ano passado e têm uma posição no ranking que supera o de algumas equipas já apuradas.

As “leoas” voltam ao relvado na sexta-feira para defrontar a equipa da casa, o MTK, que tem esse fator a favor. Na segunda-feira, é a vez do Hajvalia, do Kosovo. “Um grupo difícil, com equipas muito fortes. No entanto, isso não nos intimida”, garante a capitã leonina.

Ana Borges (ex-Chelsea), Joana Marchão e Diana Silva (ambas ex-Ouriense) e também Solange Carvalhas (ex-1º Dezembro e ex-Anderlecht) são algumas das 18 convocadas de Nuno Cristóvão que têm a favor alguma experiência internacional. E, para Solange, a braçadeira de capitã, num momento histórico para o clube que também é o do coração, vai ter um peso especial.

É a estreia do Sporting na competição. Física e mentalmente, como é que sente a equipa neste momento?
Estamos ansiosas e motivadas. Temos vindo a trabalhar com o intuito de competir ao mais alto nível, de modo a deixar uma boa impressão.

Como se compensa a falta de experiência competitiva a este nível? Quais julga serem os trunfos do Sporting?
Temos jogadoras com muita experiência, que jogaram noutros campeonatos ao mais alto nível. Além de que a maior parte tem experiência internacional. Penso que se apresentarmos um grupo unido e coeso poderemos tirar o máximo partido das qualidades de cada uma, de modo a atingirmos os objetivos a que nos propusemos.

Quando foi conhecido o resultado do sorteio, o professor Nuno Cristóvão disse que pior resultado era difícil. Concorda? Como analisa os adversários do Sporting?
É verdade que nos calhou um grupo difícil, com equipas muito fortes. No entanto, isso não nos intimida. Estamos confiantes do valor que temos e penso que temos sobretudo que nos preocupar connosco.

Passar a fase de grupos é o objetivo assumido pela equipa, mas o professor Nuno Cristóvão sugeriu a hipótese de levar o Sporting a figurar entre as oito melhores da Europa. Partilha da ambição?
Sem dúvida. Acho que o Sporting Clube de Portugal tem todas as condições para ser um dos melhores clubes a nível europeu, também no feminino. Obviamente que tudo leva o seu tempo e temos que dar um passo de cada vez, mas toda a estrutura está a fazer esforços nesse sentido.

Além de se ter reforçado com seis novas jogadores, a equipa muda esta época alguns aspetos, como horários de treino, que passaram da noite (20h30) para a tarde (16h30). Quer falar-nos dessas alterações?
Todas essas alterações foram a consequência da época perfeita que realizámos. Este ano temos novas ambições, devido às quatro competições em que estamos neste momento inseridas e, por isso, essas mudanças tiveram que naturalmente acontecer.

Qual é a ambição do Sporting para a época?
A nossa ambição é ganhar todas as competições nacionais e fazer uma boa prestação na Liga dos Campeões e isso implica, para já, passar esta fase de grupos.

Foi a segunda melhor marcadora do campeonato. Pronta para dar continuidade à veia goleadora?
Sim, foi um título que mantive durante toda a época e que infelizmente perdi no último jogo do campeonato, mas a verdade é que foi uma época atípica para mim, no que diz respeito ao número de golos que marquei. Sempre fui uma jogadora mais de assistências. Sei que as expectativas ficaram muito altas em relação a esse aspecto, mas o meu pensamento está em ajudar a minha equipa e se for com golos, melhor.

Ser capitã de equipa num momento histórico do futebol feminino do clube, significa o quê para si?
Na verdade, é difícil colocar por palavras o que sinto neste momento. Estou a viver um sonho, jogo no clube do meu coração, ganhei tudo no primeiro ano e estar na Liga dos Campeões é a cereja no topo do bolo. Temos um grupo muito forte e para mim é uma honra poder liderá-lo neste momento. Sinto-me uma afortunada por estar a viver este momento, com uma estrutura desta dimensão a depositar esta responsabilidade e confiança em mim.

Para fechar, o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões no quadro masculino vale quase €15 milhões. A passagem deste grupo no caso feminino ronda os €25 mil euros. Faz sentido esta disparidade? Há forma de aproximar as margens?
O futebol feminino está a evoluir a passos largos, no entanto, existem ainda aspetos que não são comparáveis. O interesse, principalmente dos patrocinadores, não é ainda o mesmo e, consequentemente, o dinheiro gerado e os orçamentos dos clubes para o futebol feminino são menores. Mas estamos no bom caminho.