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Morreu João Havelange

Antigo presidente da FIFA morreu esta manhã, aos 100 anos. Os sucessivos mandatos à frente desse organismo marcam claramente a sua passagem pelo dirigismo desportivo, e nem sempre pelos melhores motivos

Expresso e Lusa

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Michael Regan / Getty Images

Afetado por vários problemas de saúde que provocaram sucessivos internamentos hospitalares nos últimos meses, João Havelange morreu esta manhã no Rio de Janeiro. O antigo presidente da FIFA, cargo que manteve durante 24 anos, tinha 100 anos de idade.

A notícia da sua morte foi confirmada pelo seu médico João Mansur. Em declarações reproduzidas pelo portal brasileiro UOL, explicou que Havelange sofria de uma infeção pulmonar, que se agravou e caminhou para uma infeção generalizada, a causa da sua morte, ocorrida no hospital Samaritano, no Rio de Janeiro.

No início deste mês o ex-dirigente regressara a casa, quando apresentou melhoraqs, mas depressa teve de ser hospitalizado de novo. Convidado de honra para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos (num estádio originalmente denominado João Havelange), não pôde comparecer devido ao seu estado muito debilitado.

Antigo atleta olímpico, participou com o nadador nos Jogos de Berlim, em 1936, e 16 anos mais tarde intregrou a equipa brasileira de polo aquático nos Jogos de Helsínquia, tendo ainda conquistado uma medalha de bronze nesta modalidade nos Jogos Pan-Americanos de 1955.

Os 24 anos vividos à frente da FIFA marcam claramente a sua passagem pelo dirigismo desportivo. Presidiu à Federação Paulista de Natação e vai tarde chegou a vice-presidente da Confederação Brasileira de Desportos, entidade que juntava 24 modalidades, além do futebol, e que viria a dar origem mas foi a antecessora da Confederação Brasileira da Futebol.

Eleito para a presidência da FIFA em 1974, por ali ficou até 1998, num percurso marcado pela crescente comercialização da modalidade e inevitável poderio financeiro do organismo que tutelava o desporto-rei em todo o mundo. Havelange nunca conseguiu fugir às acusações de que terá sido o pai do sistema de trocas de favores e compra e venda de votos em sucessivas eleições dentro da FIFA, um esquema de corrupção depois perpetuado pelo seu sucessor Joseph Blatter e mais recentemente condenado judicialmente, após investigação policial das autoridades suíças e de vários outros países.

O antigo dirigente renunciou em 2011 à sua condição de membro do Comité Olímpico Internacional e, em abril de 2013, ao cargo de presidente honorário da FIFA, face ao escândalo de que terá recebido subornos de uma empresa de marketing na década de 90.