Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

Novo presidente da UEFA junta expectativa e algum ceticismo

No seu discurso após o resultado das eleições (42 votos contra 13 do holandês Michael van Praag), Aleksander Ceferin disse que a revisão do novo acordo para a Liga dos Campeões, que beneficia as quatro federações mais poderosas da Europa, será a sua prioridade

Lusa

Milos Bicanski / Getty Images

Partilhar

O esloveno Aleksander Ceferin inicia esta quinta-feira as funções de presidente da UEFA, cargo para o qual foi eleito na véspera, em Atenas, enfrentando decisões complexas, grandes expectativas e algum ceticismo sobre a sua experiência como dirigente.

Presidente da Federação Eslovena de Futebol desde 2011, Ceferin é, para muitos, entre os quais a Federação Portuguesa de Futebol, o rosto da revolução no seio do organismo, também ele abalado pelo escândalo de corrupção que 'varreu' a FIFA. Porém, outros apontam-lhe falta-lhe a experiência num alto cargo para tomar realmente conta do futebol europeu.

O primeiro-ministro eslovénio Miro Cerar convocou propositadamente uma conferência de imprensa para felicitar o novo presidente da UEFA, considerando que quarta-feira foi "um grande dia" para o país, de dois milhões de habitantes.

No entanto, no país do candidato derrotado Michael van Praag, presidente da Federação Holandesa de Futebol e vice da UEFA, continuam a existir muitas dúvidas sobre as capacidades de Ceferin, traduzidas pelo jornal "Algemeen Dagblad": "É fora do comum um esloveno desconhecido ter sido eleito".

Para o mesmo jornal, o ministro dos Desportos da Rússia Vitaly Mutko "pressionou muitos países para permitir a vitória [de Aleksander Ceferin]".

Já o canal televisivo alemão ARD considera que o novo presidente da UEFA "fez um discurso frio e calculista" em Atenas, palco do Congresso Extraordinário eleitoral. "O discurso de 'não falamos de corrupção, das redes de interesses ou de investigações' era o que muitos altos executivos da UEFA queriam ouvir", considera o mesmo canal.

Para o presidente da poderosa Federação Alemã de Futebol, Reinhard Grindel, o voto no homólogo esloveno mostrou "fundamentalmente uma nova dinâmica" ao futebol europeu, embora queira ter uma palavra a dizer nos projetos do novo presidente da UEFA.

No seu discurso após o resultado das eleições (42 votos contra 13 do holandês), Ceferin disse que a revisão do novo acordo para a Liga dos Campeões, que beneficia as quatro federações mais poderosas da Europa, será a sua prioridade. "Sobre a Liga dos Campeões ainda não fomos devidamente informados. Temos de nos sentar com as 55 federações nacionais para ver qual foi o acordo e o que poderemos fazer no futuro", indicou Ceferin em conferência de imprensa.

O dirigente esloveno, que se tornou o sétimo presidente do organismo regulador do futebol europeu – sucedendo ao francês Michel Platini, suspenso por quatro anos de toda a atividade ligada ao futebol – afirmou mesmo que "será o primeiro assunto" que vai tratar. Várias federações manifestaram-se contra o acordo anunciado a 26 de agosto pelo Comité Executivo da UEFA para o período 2018-2021, segundo o qual Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália ficariam com quatro lugares diretos assegurados na principal prova continental de clubes.

A "luta contra os resultados combinados, o racismo e a segurança" são algumas das principais 'bandeiras' do programa de candidatura do novo líder da UEFA, que pretende também "reforçar o 'fair-play' financeiro", responsável pela aproximação entre os grandes e os pequenos clubes.