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O fogo grego é deles, mas o futebol já não é de ninguém

Uma semana depois de alguém ameaçar um dos dirigentes do comité de arbitragem grego, a casa de férias do presidente da entidade foi incendiada. Não se sabe quem o fez, nem porquê, mas a Federação da Grécia decidiu suspender o futebol no país, por tempo indefinido

Diogo Pombo

ANGELOS TZORTZINIS

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A história sempre nos disse que a Grécia, não esta, mas a Antiga, era a terra dos deuses. Das figuras mitológicas para tudo e mais alguma coisa, do vinho, do sol, do amor, da razão, da música e até da guerra. Algum motivo tiveram os gregos cá de baixo, ou quem eles acreditam que esteja lá em cima, para não existir um deus com queda para o desporto. Deixaram essa área desgovernada e, hoje, rodeada de fogo.

Na noite de terça-feira, a casa de férias de Giorgos Bikas, presidente do Comité Central de Arbitragem (KED) foi incendiada em Ierissos, que fica a cerca de 160 quilómetros de Salónica. Não se sabe por quem, ou porquê, mas o fogo alastrou para casas vizinhas e vários bombeiros se deslocaram até ao local, escreve o Kathimerini, um jornal grego.

Há vários problemas aqui e um deles é que, na semana anterior, Giorgos Tsachilidis, um membro do KED, foi ameaçado por dois homens mesmo à porta da sua residência. Demitiu-se. E aí deu-se o sinal que fez a FIFA deitar o aviso cá para fora: se algo mais do género fosse registado, o futebol na Grécia seria suspenso por tempo indefinido. Dito e feito.

Bikas, o presidente dos árbitros helénicos, também se demitira, mas a federação de futebol do país convenceu-o a recuar na decisão. Horas depois, ficava a saber que a casa de Ierissos estava a arder. As peças de dominó começaram a empurrar-se umas às outras - Bikas avisou a federação grega, que informou o ministro do desporto do país, que notificou o governo, que terá convencido a entidade que manda no futebol na Grécia a cumprir com a ameaça.

Agora, todo o futebol grego está suspenso e não se sabe quando a bola voltará a rolar.

O que é mau para toda a gente que está envolvida, incluindo Paulo Bento, treinador do Olympiakos, o clube campeão dos campeões na Grécia, onde treina Diogo Figueiras, André Martins e Gonçalo Paciência. Eles e Zeca, o capitão do Panathinaikos, rival de Atenas, onde também está Nuno Reis, vão ficar sem jogar durante uns tempos. Há cerca de ano e meio, o campeonato grego já tinha sido interrompido um par de vezes, mas devido a violência entre adeptos de alguns clubes, nos estádios.

Como não há um deus para o desporto ou para o futebol, os que restam não devem mesmo querer nada com isto.

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