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A lenda rechonchuda que “parecia treinar em restaurantes”

Tinha barriga, só jogava com o pé esquerdo, a brilhantina prendia o cabelo e parecia que não corria muito. Mas Ferenc Puskás tinha um relacionamento sério com o golo: marcou quase 700 na carreira e ainda hoje tem o melhor rácio ao serviço de uma seleção (84 golos em 85 jogos, pela Hungria). Venceu três Taças dos Clubes Campeões Europeus com o Real Madrid, mas nunca ganhou um prémio individual. Morreu há dez anos e vale a pena recordá-lo

Diogo Pombo

ESTÁ LÁ DENTRO. Quando a bola saía do pé esquerdo de Puskás, o mais certo era entrar direitinha na baliza

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Ele estava gordo, a pança proeminente. Não havia camadas de roupa que a escondessem, era impossível. Claro que estava preocupado: “Estou demasiado gordo, não consigo jogar. Preciso de tempo para baixar o peso”, pensou, para ele próprio, no momento em que alguém arranjou maneira de o colocar à frente de alguém importante - era o presidente do Real Madrid. Por mais engordado, desleixado ou pouco atlético que estivesse, a reputação dele mantinha-se. “Ali estava eu, do tamanho de um balão, a ter uma conversa estranha com o Bernabéu”, contou, décadas mais tarde, quando chegou a altura de escrever uma autobiografia. Este episódio tinha que constar.

Foi o dia no qual Ferenc Puskás conheceu o homem que hoje dá nome ao estádio do Real Madrid: Santiago Bernabéu. O húngaro, gordo e fora de forma, não jogava futebol há dois anos, às custas de um exílio que forçou a si próprio, em 1956, quando lhe chegou aos ouvidos a novidade de uma revolução na Hungria. Fugiu.

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