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Sofá, televisão e bola. Vem aí um bom sábado para ter esta relação

É um daqueles dias em que os calendários se alinham, os horários também, e há um jogo grande atrás do outro. Este sábado, vai poder almoçar a ver um clássico inglês com Mourinho no meio, lanchar com um duelo de gigantes na Alemanha e acabar a jantar à boleia de um dérbi de Madrid

Diogo Pombo

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TIZIANA FABI

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Manchester United - Arsenal, 12h30 (Sport TV 3)

Vamos, por momentos, imaginar o momento em que um e outro se aperceberam do que lhes ia acontecer neste fim de semana de novembro. O segundo no qual olharam para o calendário.

Olha, à 12.ª jornada vem cá este caramelo. Vai ser giro.

Eish, vou ter que esticar a mão a este e fingir que estou bem com tudo o que se passou.

José Mourinho e Arsène Wenger já passaram por muito. O português, tal e qual o conhecemos, adora uma boa picardia em público, em que a imprensa faz de carteira para deixar recados, mandar bocas ou criar um espalhafato no discurso para concentrar as atenções no que ele diz e desviá-la do que a equipa joga, ou não joga. O que é diretamente oposto ao monsieur Arsène, um francês que se fez gentleman durante as duas décadas que leva em Inglaterra, um defensor de manter a postura, avesso a guerras e a quem se queira meter com ele.

Não é de agora que estes dois - é fácil perceber que frase pertence a quem, das que estão em cima - não gostam um do outro. Mourinho picou-se com Wenger sempre que esteve em Inglaterra, chamou-lhe voyeur, elevou-o a especialista em falhanço e considerou-o um rei por “não ter sucesso e, mesmo assim, manter o emprego”. Meteu-se debaixo da pele do treinador do Arsenal, como dizem os ingleses, e Wenger foi sempre respondendo, na sua corda bamba entre o atacar o outro e manter a postura. Disse que o português fazia mal ao futebol, só pensava no resultado e até terá recusado sentar-se ao seu lado, num evento da UEFA.

Como já devem ter percebido, os problemas vêm de trás e o primeiro jogo grande desta sábado junta, no mesmo estádio, dois treinadores que nunca foram à bola com o outro. E os números deitam mais pimenta sobre o que já é picante - Arsène Wenger nunca venceu José Mourinho nos 11 jogos que já tiveram na Premier League. Quem hoje está mais confortável é o Arsenal do francês, no quarto lugar, à frente do sexto onde está o Manchester United do português. O primeiro já disse que vai apertar a mão ao segundo (pelo menos, antes do jogo começar): “Respeito o ritual, tão importante na Premier League”.

ADRIAN DENNIS

Borussia Dortmund - Bayern Munique, 17h30 (Sport TV 1)

É comum demais um jogo de futebol chegar ao fim e ouvirmos os treinadores falarem do que é justo e do que não é. Como se a justiça fosse desculpa para a equipa que passa o jogo a atacar e criar oportunidades de golo, que não aproveita, e perde. O que contam são as bolas que entram na baliza. Mas, se há algo perto de ser injusto no futebol, está na Alemanha, onde há uma coisa tão certa quanto a gravidade trazer de volta algo que atiremos ao ar - o facto de haver uma equipa que, em teoria, vai marcar sempre mais golos e sofrer menos do que nós.

Não basta dizer que esta equipa é o Bayern de Munique, pois no momento em que falamos nela, temos que escrever que já vão muitos anos em que, por ter mais dinheiro, contrata melhores defesas, médios e avançados - guarda-redes não tem precisado, por ter Manuel Neuer - do que as outras equipas.

E o ciclo vicioso continua: quem tem dinheiro para contratar, e pagar, melhores jogadores, também tem para ir buscar os melhores treinadores, e por isso fica com as melhores probabilidades de ganhar. Depois de Van Gaal veio Heynckes e Guardiola e agora Ancelotti, tudo homens que sabiam ser campeões nacionais e estar na luta para serem campeões europeus.

Não é novidade nenhuma, portanto, vermos o Bayern em primeiro na Bundesliga, mas este ano está diferente. Eles são líderes, sim, mas com os mesmos pontos que o segundo e têm apenas seis a mais do que o sétimo classificado. Eles são os melhores, estão cheios de craques, o problema é que não têm jogado como podiam e deviam. O normal seria o tal segundo lugar ser do Borussia Dortmund, a equipa que mais frente lhe tem feito frente nesta década. Só que a intensidade que o treinador Thomas Tuchel mete nos treinos já lhe chegou a dar mais de dez lesionados esta época, o que se refletiu nos empates e derrotas que a equipa sofreu, enquanto Leipzig, Hoffenheim e Hertha de Berlim iam montando as suas surpresas.

O Dortmund não deixa de ter a segunda melhor equipa na Alemanha, ou os jogadores que mais chatices podem provocar ao Bayern. Mesmo que, para o campeonato, não vença os bávaros há dois anos e meio, é jogo de se ver - vai ser jogado no Signal Iduna Park, o estádio com melhor média de assistência na Europa e um dos mais barulhentos, é o primeiro teste a sério para o Bayern de Ancelotti e, caso o Borussia ganhe, fica a apenas três pontos do rival. O que será de louvar num liga em que, por hábito, o mais incerto é a classificação das outras 17 equipas.

PATRIK STOLLARZ

Atlético de Madrid - Real Madrid, 19h45 (Sport TV 2)

Um tipo português, musculado e bronzeado, que fez muito pouco durante 120 minutos de bola a rolar, a rasgar e a tirar a camisola, para mostrar o corpo enquanto berrava para a bancada. Um guarda-redes esloveno, grande e apático, que tinha de parar penáltis e nunca se atirou para a relva. Um espanhol barbudo e com pouco cabelo, em lágrimas, a pedir desculpa aos adeptos por ter falhado o último pontapé da sua equipa.

O cenário era mais ou menos este no final da última partida em que as duas maiores equipas de Madrid se defrontaram.

O Atlético perdeu a segunda final da Liga dos Campeões, em três anos, para o Real, a segunda em que Cristiano Ronaldo acabou a despir a camisola por causa de um penálti. Esse resultado deu um escudo a Zinedine Zidane, francês que ganhou crédito para deixarem de duvidar dele, e provocou dúvidas a Diego Simeone, argentino que, na altura, disse que ia pensar se continuava, ou não, no clube.

Ambos ficaram onde estavam e as coisas mudaram um pouco. O lado vermelho e branco de Madrid, que Simeone teimou numa cultura de esforço inegociável, de correr muito, no cinismo de pensar primeiro em defender e depois em atacar a baliza dos outros o mais rapidamente possível, está engripada. O Atlético está no quinto lugar do campeonato, a seis pontos do lado branco da cidade, que joga assim-assim, só tem uma equipa às vezes e resolve a maior parte dos problemas por, simplesmente, ter melhores jogadores que todos os adversários (menos o Barcelona).

Nos últimos anos, tudo quanto é jogo grande em Espanha, que meta o Atlético de Madrid, foi intenso, renhido, faltoso e com muitos golos. Este, com os colchoneros ainda na ressaca da segunda final da Champions perdida para os merengues, tem tudo para ser animado. Se tudo correr bem, será uma bela maneira de terminar o sábado de relação com o sofá, a televisão e o futebol.

Dean Mouhtaropoulos

  • Picardias com Mourinho? Nem pensar nisso, diz Wenger

    vídeo

    O treinador do Arsenal, Arsène Wenger, diz que vai apertar a mão de José Mourinho antes do jogo com o Manchester United. Wenger desvalorizou a rivalidade com o treinador português e realçou que o importante no jogo de sábado vai ser a qualidade do espetáculo