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Retirou-se um dos grandes do futebol. Adeus, Gerrard

Aos 36 anos, 19 épocas e 863 jogos depois, Steven Gerrard anunciou o final da carreira. Mas tudo indica que o ex-capitão do Liverpool vai continuar no futebol, enquanto treinador

Mariana Cabral

Steven Gerrard completou 863 jogos na carreira, a maioria dos quais ao serviço do Liverpool, onde passou 17 épocas

Michael Regan/Getty

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Os cabeçalhos da semana passada, em Inglaterra, foram estes: “MK Dons quer Steven Gerrard para treinador”. Esperem, mas como é que um clube quer um jogador para treinador? Ainda para mais, um jogador que até há bem pouco tempo estava nos EUA, no LA Galaxy, e não em Inglaterra.

A resposta chegou esta semana: Steven Gerrard arrumou definitivamente as botas. “No seguimento da especulação da imprensa em relação ao meu futuro, posso confirmar a minha retirada do futebol profissional”, revelou o jogador, em comunicado. “Tive uma carreira incrível e estou grato por todos os momentos que passei no Liverpool, na seleção inglesa e no LA Galaxy”.

Aos 36 anos, um dos históricos do futebol inglês - e mundial (o preferido de Ronaldinho e Zidane, por exemplo) - sai do campo, mas por pouco tempo. É que Gerrard já está a considerar começar a carreira de treinador, apesar de não ter aceite a proposta do MK Dons. “Era demasiado cedo", explicou, apesar de prometer novidades para breve: “Estou muito entusiasmado com o futuro e sinto que ainda tenho muito para oferecer ao futebol, seja em que cargo for. Neste momento estou a ponderar uma série de opções e divulgarei novidades sobre a próxima fase da minha carreira brevemente”.

Apesar de nunca ter sido campeão inglês, Gerrard acumulou dez títulos no currículo, todos pelo clube do coração (sim, ainda há disso no futebol): uma Liga dos Campeões, uma Liga Europa, duas Supertaças Europeias, duas Taças de Inglaterra, três Taças da Liga e uma Supertaça inglesa.

Stu Forster/Getty

Gerrard cresceu e fez-se jogador em Liverpool, durante 17 épocas - doze delas como capitão. “Enquanto adolescente cumpri o meu sonho de infância ao vestir a famosa camisola vermelha do Liverpool e quando me estreei contra o Blackburn Rovers, em novembro de 1998, não imaginava o que se seguiria nos 18 anos seguintes. Sinto-me um sortudo por ter passado por tantos momentos incríveis na minha carreira. Estou orgulhoso por ter jogado mais de 700 jogos pelo Liverpool, muitos dos quais como capitão, e por ter ajudado o clube a trazer troféus para Anfield, nenhum deles mais importante do que aquele daquela noite inesquecível em Istambul”, disse o jogador.

A 25 de maio de 2005, em Istambul, o Liverpool discutia com o (favorito) AC Milan o troféu da Liga dos Campeões, mas as coisas começaram para lá de mal: ao intervalo, os ingleses já perdiam por 0-3. O que parecia ser uma noite descansada para os italianos acabou por ser um pesadelo, quando Gerrard reduziu para 3-1 e motivou os colegas (e foi considerado o homem do jogo) até ao 3-3. O “milagre de Istambul”, como lhe chamam os reds, ficou completo nos penáltis, com o Liverpool a conquistar a quinta Liga dos Campeões do palmarés.

Em 2015, Gerrard trocou o Liverpool pelo LA Galaxy, onde passou duas épocas pouco ativas, fruto das lesões que sofreu. O último jogo que o ex-internacional inglês disputou pelo Galaxy foi uma vitória sobre o Colorado Rapids (5-1), a 6 de novembro.

Para além da proposta do MK Dons, Gerrard também terá recebido, de acordo com a imprensa inglesa, abordagens do Celtic e de clubes italianos. Mas o mais certo é o ex-capitão do Liverpool estar a preparar-se para regressar a casa, como deu a entender numa entrevista à BT Sport. “O Liverpool é tudo para mim. Tenho de lhes agradecer. Acho que gostava de experimentar um pouco dos dois [treinar e comentar jogos] e no futuro tenho certamente sonhos de me envolver na liderança, ou ser adjunto, ou estar ligado ao balneário de alguma forma. Mas ainda tenho muitos, muitos anos para fazê-lo.” You will never walk alone, Gerrard.