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A carga de trabalhos que espera Marco Silva no Hull City

Ao fim de seis meses sem treinar, depois de ter sido campeão na Grécia, o português foi confirmado como treinador do Hull City, último classificado da Premier League. Marco Silva tem 18 jornadas para salvar a equipa da despromoção e ainda vai jogar as meias-finais da Taça da Liga contra o Manchester United... de José Mourinho

Diogo Pombo

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Shaun Botterill

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Ele estava no Sporting, teve uma má relação com o presidente, ganhou uma Taça, foi despedido, disse-se que uma das razões era não ter vestido o fato do clube, e foi para a Grécia. Treinou o Olympiakos, deu nas vistas, venceu o Arsenal na Liga dos Campeões, ganhou o campeonato, e foi-se embora. Não treinando, foi falando e comentando na televisão, depois de jogos da Champions e durante o Campeonato da Europa.

O verão passou, a época começou, os clubes foram às compras, mas Marco Silva ficou no mesmo sítio. Até agora.

O português, que estava sem treinar desde meio de maio, chegou ao Hull City e já tem com que se ocupar. Aos 39 anos, aterra na Premier League, o campeonato em que grande parte dos treinadores querem experimentar porque é lá que se costuma ver de que fibra são feitos. Ou se têm pele de camaleão para se adaptarem a um futebol que tem tanto de espetacular, como de imprevisível – qualquer coisa, perguntem ao Guardiola.

Marco Silva, confirmou o Hull City, assinou um contrato até ao final da época, o que lhe dá direito a 18 jornadas para remediar a situação em que a equipa se encontra: está em último lugar, é a que menos golos marca (17), a segunda que mais os sofre (45) e apenas foi buscar quatro dos 13 pontos que tem fora do seu estádio. É muito pouco.

Mas é com isso que o treinador terá de lidar. Com o pouco de uma equipa que chegou a ter apenas nove jogadores seniores inscritos no plantel antes do primeira partida da época, frente ao Leicester. O Hull City subiu esta temporada à Premier League, - vinda de um play-off em que eliminou o Sheffield Wednesday, de Carlos Carvalhal -, algo que costuma ser tramado para o clube que passa por isto, porque é o último a confirmar a promoção e, como tal, tem de esperar mais duas semanas que os outros 19 para começar a planear a época.

Um problema que, mais pressa, menos pressa, teria solução caso o clube estivesse disposto a encher o saco de compras. Só que não foi ao supermercado com urgência e com o dinheiro contado por Aseem Allam, o presidente egípcio do Hull City que não viu o contratar de bom grado, mas quer, há algum tempo, mudar o nome do clube para Hull Tigers. O que não tem caído bem no goto dos adeptos, para quem Marco Silva será o terceiro treinador da temporada.

É nele que o Hull aposta para dar vida nova a uma equipa repleta de antigas segundas linhas de clubes maiores - Huddlestone, Livermore e Mason, por exemplo, vieram todos do Tottenham - e tem em Robert Snodgrass, um canhoto escocês que bate tudo quanto é bola parada, e Abel Hernández, um matulão uruguaio que é avançado e marcou apenas um golo, as principais estrelas.

O primeiro jogo de Marco Silva é contra o Swansea City, equipa que há dias também contratou o terceiro técnica da época e está um lugar acima no campeonato. O seguinte dar-lhe-á a oportunidade de apertar a mão a outro português - o Hull defronta o Manchester United de José Mourinho, na primeira mão das meias-finais da Taça da Liga. Se lhe fizer uma desfeita, Marco Silva ainda tem hipótese de vencer um caneco esta temporada.