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O Mundial vai mesmo ter mais equipas - mais 16 equipas

Ainda não sabemos onde se vai jogar, mas o Mundial de 2024 vai ser bem diferente. A FIFA anunciou esta terça-feira que será a primeira edição a contar com 48 seleções, um alargamento que dará 16 grupos com três equipas à prova, cinco fases a eliminar e um total de 80 partidas

Diogo Pombo

Laurence Griffiths

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Houve um tempo, e o último desses tempos foi há quase três anos, em que chegava o tempo do Campeonato do Mundo de futebol e não era difícil decorar quem ia jogar contra quem. Eram oito grupos de quatro equipas, alguns, de facto, mas não era preciso ser um bêbado de amor por futebol ou ter uma memória de paquiderme para termos uma ideia dos jogos que iam acontecer. Esse tempo vai acabar, ou então, os quizz sobre o Mundial vão ter menos gente a acertar a partir de 2024 - as coisas vão mudar.

A FIFA confirmou esta terça-feira o que já se espera, temia ou ansiava (depende da perspetiva) há muito: o Mundial vai passar a ter mais seleções a participar. Das 32 que se apuravam e jogavam a prova desde 1998, passaremos a ter 48, um aumento que implica algumas mudanças no processo de qualificação. Alterações que, por enquanto, desconhecemos, pois Gianni Infantino, presidente da FIFA e maior defensor do alargamento da competição, ainda não falou oficialmente sobre a decisão.

Vai falar, ainda esta terça-feira, mas não adiantou a hora.

Mas sabemos que as 48 seleções em 2024 vão ficar dispostas em 16 grupos. Cada um terá três equipas, logo, pela lógica, as duas primeiras classificadas são apuradas para a fase seguinte. Passaremos a ter um Mundial com dezasseis avos de final e cinco fases a eliminar. Os 64 jogos da última edição, no Brasil, passarão a 80, o que não irá prolongar a duração da prova- que hoje anda à volta dos 30 dias -, pois a ideia da FIFA é ter quatro partidas por dia.

Um cenário realista, caso o Campeonato do Mundo continue a ser organizado por apenas uma nação. E isto é um “se” considerável, porque a FIFA tem o exemplo da UEFA, que achou bem organizar o próximo Europeu de futebol, em 2020, espalhado pelo continente, trocando o conceito de país-sede por várias cidades-sede.

Ainda vamos demorar algum tempo a perceber se é, ou não, uma possibilidade. O processo de candidaturas para nações se chegarem à frente e quererem organizar o Mundial de 2024 deveria ter começado em 2015, mas foi adiado, devido às polémicas de subornos e corrupção que envolveram a FIFA, durante esse ano. O processo apenas será retomado a partir de 2020, após o Campeonato do Mundo da Rússia (2018) e dois anos antes da edição que será acolhida pelo Qatar (2022).

Até lá, ficámos a saber da quarta vez que a FIFA decidiu alargar o Mundial a um maior número de seleções. A primeira aconteceu em 1934, a segunda edição da prova, em que a entidade corrigiu o número ímpar (13) com que começou esta aventura e se fixou nos 16 participantes. Demorou 48 anos a mexer no número, em 1982, quando o aumentou para 24 equipas e voltou-lhe a mexer em 1998, ano em que o alargou a 32 seleções.

Agora, como organização que se promove como inclusiva e vende o futebol como um bem que deve chegar a todos, a FIFA e Gianni Infatino cumpriram a palavra de alargar a maior competição de futebol do planeta a nações mais pequenas, que, como estavam as coisas, dificilmente se conseguiriam qualificar. Lembram-se da Islândia e da Albânia no último Europeu? Casos desses vão-se repetir mais vezes.