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Portugal e os pequenitos

Pedro Boucherie Mendes escreve sobre a nova aposta da SIC Radical: o Brasileirão

Pedro Boucherie Mendes

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Alguns canais de televisão parecem ser como o Portugal dos Pequenitos. As pessoas não põe lá os pés há muitos anos, mas assim que lêem uma notícia sobre alterações começam a fazer aquilo que mais gostamos de fazer em Portugal: a soltar a indignação e a dizer que assim não pode ser.

Na SIC Radical, que começou as suas emissões em Abril de 2001, vamos passar a ter o futebol brasileiro em directo a partir deste domingo (Vasco x Fluminense Às 19h).

A lógica brasileira é diferente, porque o país é muito grande e portanto as coisas começam ao nível estadual e só depois se tornam nacionais (a partir de maio). E vai ser extraordinário, não tenham dúvidas.

Vai ser como forrar o Portugal dos Pequenitos com Spas, Resorts, Escorregas e campos de Paddle. Tal como esperava, já vi e li críticas a este nosso investimento. Uns dizem que deveríamos comprar outro futebol qualquer, outros dizem que o DNA da Radical é outro. Talvez devêssemos, talvez seja.

Cada escolha tem um custo de oportunidade e vivemos bem com isso. E temos outras vantagem, só nós sabemos as circunstâncias confidenciais do acordo, os outros terão de consultar o Tarot. O problema destas observações é que o DNA do mundo também é outro.

Os tempos em que todas as pessoas ficavam sentadas a olhar para o televisor passaram, tal como os tempos em que se visitava o país através do Portugal dos Pequenitos. Hoje temos a Internet, muitos mais canais e muito mais que fazer nos computadores e restantes devices.

Lembro que quando a SIC Radical apareceu não havia nem redes sociais, nem smartphones, nem tablets por exemplo.
Ao longo destes anos temos tentado e temos conseguido impor ao público português as nossas escolhas.

Quando nos telejornais fazem notícias sobre o conhecido Chef britânico Gordon Ramsay não é porque o pivot seja padrinho do filho do Chef, mas porque a Radical trouxe todos os seus programas para Portugal.

Quando mostramos os programas de Anthony Bourdain também ninguém fazia ideia de quem ele era e hoje arranjar mesa no Ramiro é o que é.

Quando se picam, copiam, reproduzem vídeos de Colbert ou Fallon, como se eles fossem lá de casa, seja na versão fixe com os Obama, seja na versão mais esquisita com Trump, onde acham que esses programas dão cá em Portugal, em versões legendadas? Na Radical pois claro. E o Shark Tank?

Qual é que julgam que foi o canal que trouxe o formato para o nosso país, naquele que é um dos programas de televisão que mais repercussão teve na nossa sociedade desde sempre, com imensos jovens e menos jovens a perceberem que de facto podiam ter o seu negócio mas que saber vendê-lo a terceiros era parte essencial do seu projecto? Foi na Radical, não foi noutro qualquer.

Em televisão, e felizmente, continuamos a querer ver eventos, em especial desporto em directo. Se for futebol ainda melhor. Este passo da SIC Radical é um movimento de adequação aos novos tempos de concorrência e competitividade entre canais.

O futebol brasileiro é excelente e ninguém vai pagar um euro a mais para assistir aos mais de 160 jogos que vamos emitir este ano. Ou os mais de 160 que vamos emitir no seguinte.

E, fica a promessa, se ficarem no canal a seguir aos jogos vão perceber que mantemos excelentes programas como aliás sempre tivemos. Até porque nem todos os canais se podem colocar à porta de alguém cujo tio estava na sala de espera do hospital onde aquele casal de Vale de Cambra esteve na véspera de se cruzar no semáforo com a sobrinha do namorado da prima que é vizinha da cunhada do presumível assassino de Alheiras à Mirandela.