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Zozulya chegou, treinou e foi devolvido - os adeptos dizem que ele é nazi

O ucraniano fora emprestado pelo Bétis ao Rayo Vallecano, mas o adeptos locais não gostaram de receber um jogador que dizem ser nazi

Vanessa Portugal

SERGEI SUPINSKY

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Árbitros a expulsar jogadores é normal. Árbitros a expulsar treinadores é normal. Adeptos a expulsar jogadores não é normal, mas foi o que aconteceu na segunda divisão espanhola.

Já lá vamos.

A equipa de Madrid Rayo Vallecano de Madrid (17ª classificado) reforçou o plantel na fase final do mercado de transferências deste inverno e foi nesse comboio que Roman Zozulya chegou ao clube, cedido pelo Bétis. O ucraniano ainda fez o primeiro treino e, horas depois, foi devolvido. Porquê? Porque o avançado de 27 anos é alegadamente simpatizante nazi e tem ligações à extrema direita do exército da Ucrânia.

Um grupo de adeptos ‘invadiu’ o treino para mostrar que não estão satisfeitos com esta contração e a fúria dos manifestantes levou à intervenção policial no local. “Vallecas [o nome do estádio] não é sítio para Nazis. Se és racista não podes vestir a nossa camisola”, podia ler-se nos cartazes dos manifestantes.

Os fãs do clube escreveram também um comunicado à direção: “Não é uma questão de ideologias ou pensamento, vai mais além: o jogador ucraniano empunhou armas, doou dinheiro a movimentos fascistas, mostra os seus símbolos e manifestou em inúmeras ocasiões o seu apoio à ultradireita do seu país, para a qual é um símbolo. Ridículo atrás de ridículo. Quando parece que nada nos pode surpreender, este clube consegue sempre dar outra bofetada aos nossos valores e história: entre os milhares e milhares de jogadores que há no mercado decidem comprar um reconhecido neonazi como Zozulya”.

Após este incidente, o jogador reagiu e negou qualquer rótulo nazi: “Não estou vinculado, nem apoio nenhum grupo paramilitar, nem nenhum grupo neonazi”.

A história vem de trás. Quando Zozulya chegou a Espanha para jogar no Bétis, em 2016, estalou a polémica: o jogador vestia uma camisola branca com um símbolo do Pravy Sektor, um grupo ultranacionalista ucraniano.

“Lamentavelmente, a minha chegada a Espanha esteve acompanhada comum mal entendido causado por um jornalista que conhece pouco da a realidade do meu país e do meu próprio percurso”, esclareceu Zozulya.

Depois deste incidente, o jogador não vai poder jogar mais até ao final da época porque já tinha sido inscrito pelo Rayo na liga espanhola. Agora, está de regresso ao Bétis, que garante que Zozulya é um bom tipo: “Perante os problemas ocorridos com a claque do Rayo, falámos com o clube e, para proteger o nosso jogador, decidimos que deve regressar a Sevilha. O jogador mostrou sempre um comportamento exemplar desde que chegou ao nosso clube. Queremos mostrar o nosso apoio ao Zozulya e à sua família. O jogador tem contrato até junho de 2019 e esperamos que esta situação seja resolvida o mais rapidamente possível, uma vez que é prejudical para a imagem do ucraniano”.