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Tom Brady: entre o Comeback Kid e a lenda há 17 anos e 198 lugares

Um draft é igual a sete rondas e a mais de 200 jogadores selecionados. No ano 2000, Tom Brady esperou pela sexta ronda do recrutamento e foi o jogador número 199 a ser escolhido. Joga pelos New England Patriots, é MVP pela quarta vez, e o título de “lenda” já é dado adquirido

Filipa Bulha Pereira

Brady festeja vitória dos Patriots na Superbowl/ GETTY

TIMOTHY A. CLARY

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Robert Kraft, dono dos New England Patriots, lembrou na sexta-feira, no Gillette Stadium, como Brady se apresentou no primeiro dia de estágio, com uma pizza debaixo do braço: “Sou a melhor decisão que este clube já tomou”. Corria o ano 2000. Dezassete anos depois, não há como negar.

Porém, na altura, nada fazia prever a lenda em que Brady se viria a tornar. Magro, com um ar desengonçado, e escolhido apenas no final da sexta ronda do draft, o futuro do jovem parecia tudo menos lendário. Afinal de contas, as verdadeiras estrelas são escolhidas logo nas primeiras rondas do recrutamento. Só que não.

Chegado da Universidade do Michigan, Tom Brady era o miúdo que só era titular quando o jogo estava (quase) perdido ou quando Drew Hanson se lesionava. O ar desleixado do jogador não ajudava.

Mas este rookie tinha algo especial. Sempre que entrava em campo, arranjava maneira de dar o seu toque e gerar uma reviravolta no jogo. Comeback Kid, foi como ficou conhecido graças a este talento.

Durante a primeira época de Brady como rookie NFL, o banco era um lugar bastante quentinho. É que, como titular, havia outro Drew, Dew Bledsoe, um jogador mais experiente...mas não por muito tempo.

Uma lesão, uma porta aberta (para um futuro brilhante)

Um dia, Bledsoe foi alvo de uma placagem e sofreu uma hemorragia interna. Horrível, certo? Pois, mas não para Tom Brady, que saltou do banco e começou a escrever a sua história.

Uns quantos (mas poucos) jogos depois, aquele jovem magrinho e desengonçado mostrava técnica, precisão e inteligência. E se provas fossem precisas, nada como levar os Patriots ao Super Bowl... e ganhar contra os Rams.

Essa vitória teve um sabor especial para Brady (e para os Patriots). É que os 20-17 do marcador ditaram o primeiro título da história da equipa, Brady foi nomeado “Jogador Mais Valioso” (MVP) em campo e tornou-se o mais jovem quarterback de sempre a ganhar um anel de campeão. Número 199 do draft? Quem diria.

O DeflateGate e o anel

É claro que nem tudo é cor-de-rosa, e o jogador não é consensual. Criticam os “ataques de fúria” quando algo não lhe corre bem e ainda o acusam de ser protegido pela liga e pelos árbitos.

A mais recente polémica em que se viu envolvido ficou conhecida por DeflateGate. Tradução: os Patriots foram acusados de não encher tanto as bolas de Brady (o que significa uma maior aderência às mãos do quarterback). O caso chegou aos tribunais e Brady foi suspenso no início desta época.

E depois? Agora o jogador de 39 anos voltou e fez questão de voltar em grande. A fórmula é secreta (chamem-lhe talento, talvez) mas o resultado está à vista: os Patriots ganharam ontem o Super Bowl contra os Atlanta Falcons e Brady ganhou o quarto MVP. O tal Comeback Kid fez jus à alcunha e deu a (revira)volta ao jogo.

A equipa de Brady contava com um défice de 25 pontos e acabou vencedora, com o marcador a registar 34-28. Foi a maior reviravolta de sempre no Super Bowl e Brady foi o protagonista. O jogador superou os records de Joe Montana e Terry Bradshaw e tornou-se o quarterback com mais vitórias. Cinco campeonatos, quatro MVP. As estatísticas são animadoras.

É caso para dizer que, para além de quarterback, Brady também é vidente. É que, dezassete anos depois, o jogador é mesmo a melhor decisão que os Patriots já tomaram.