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David Luiz: de ovelha mais ou menos negra a âncora da defesa

Um jogador dúbio aos olhos dos adeptos, uma vez que o Chelsea não venceu nenhuma Premier League desde que integrara a equipa na primeira vez, David Luiz mostrou que ainda tem muito para dar nesta segunda aventura em Londres

Filipa Bulha Pereira

Darren Walsh/GETTY

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Coincidência ou não, David Luiz entrou para o Chelsea na época seguinte à equipa ter vencido a Premier League e enquanto ele lá esteve, o clube não voltou a ver a taça. E quando ele saiu, vendido ao PSG no verão de 2014, o Chelsea voltou a ser campeão. Conclusão: o jogador era o problema. Ou pelo menos assim pensaram muitos adeptos, pouco recetivos ao seu regresso ao clube, em 2016.

Mas não se engane ao pensar que David Luiz não teve grandes momentos no Chelsea, porque teve. Exemplo disso está a Liga dos Campeões de 2012 e uns quantos golos em jogos importantes.

Então qual era o problema? É que, à luz dos resultados, ficou-lhe associada alguma falta de consistência, essencial na Premier League (e especificamente na Premier League).

O jornalista da Sky Sports, Adam Bate, analisou a performance do brasileiro no clube e o modo como o treinador a melhorou com uma simples mudança. Vamos perceber como.

Olhando para a tabela de pontos desta época, vemos um Chelsea no primeiro lugar da liga inglesa, com uns sólidos 59 pontos. E se quisermos mais detalhes ainda, podemos dizer que esses 59 pontos foram conseguidos em 24 jogos, nos quais o clube londrino apenas foi derrotado três vezes. Ou seja, 19 vitórias mais 2 empates mais três derrotas é igual a um lugarzinho no topo...com David Luiz na equipa.

Não só o jogador esteve presente, como desempenhou um papel essencial nos jogos. Desde que voltou do PSG, que assumiu “consistência” como o seu nome do meio (indo contra as tais acusações que lhe eram feitas).

E a que se deve esta melhoria? Antonio Conte, o treinador.

Quando questionado acerca dos lapsos anteriores de Luiz, o técnino preferiu não falar no passado e optou por deixar claros os seus objetivos atuais: “Eu ponho o meu suor nos jogadores. Para melhorá-los. Para trabalhar quaisquer fraquezas e torná-los mais fortes”.

Mas afinal, o que é que mudou?

Após duas derrotas iniciais na Premier League contra o Liverpool e o Arsenal, Antonio Conte usou, pela primeira vez, David Luiz no trio defensivo. A mudança para o 3-4-3 deu frutos e o brasileiro começou a jogar na sua praia.

Falando na âncora da defesa do Chelsea, falava-se em John Terry. Agora fala-se de David Luiz.

O camisola 30 faz agora muito menos ataques por 90 minutos do que em qualquer uma das suas três primeiras épocas no Chelsea e reúne as principais características de um defesa de qualidade - e muito tem a dever a Conte. “É um dos melhores treinadores com quem já trabalhei”, chegou a dizer.

Basicamente, David Luiz deixou-se de loucuras e incursões kamikaze para a frente e limita-se a fazer aquilo para o qual é pago: defender.

E todos os que mal-diziam David Luiz, que lhe retirem as culpas. É que o (inesperado) sucesso do Chelsea nesta Premier League pôde contar com excelentes atuações do jogador, que se revelou, afinal de contas, um símbolo de consistência.

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