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Os cortes de cabelo que não agradam nem a gregos, nem a troianos - e nem a árabes

A Comissão Disciplinar da federação de futebol dos Emirados Árabes Unidos processou 33 jogadores. O motivo? O corte de cabelo

Filipa Bulha Pereira

Omar Abulrahman tinha o cabelo assim - antes de ser obrigado a cortá-lo

AK Bijuraj/ GETTY

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Asamoah Gyan e Omar Abdulrahman são dois dos jogadores envolvidos no processo. A diferença é que, por razões pouco explícitas, um deles foi poupado e não precisou de cortar o cabelo.

Mas recuemos uns dias para perceber o que se passou realmente. Ora, a comissão disciplinar da UAEFA fez uma advertência na semana passada relativamente aos cortes de cabelo (aparentemente ofensivos e pouco éticos) de 46 jogadores. Esta terça-feira, 33 atletas foram processados.

Mas afinal, qual é o problema dos tais penteados? É que alguns ensinamentos islâmicos proíbem cortes de cabelo estilo 'qaza', em que apenas um lado da cabeça é rapado (como o de Asamoah Gyan) .

Para além disso, outros cortes de cabelo são considerados pouco apropriados. Basta olhar para o volumoso cabelo de Omar Abdulrahman para perceber que a nova lei da comissão disciplinar não se restringe a um único tipo de penteado.

As novas diretrizes respeitantes ao estilo capilar dos jogadores justificam-se com o facto de ser “anti-islâmico”, mas também com um outro factor. A UAEFA está também preocupada com a possibilidade de algumas crianças começarem a copiar os penteados.

E se esta história lhe parece familiar, é porque é mesmo. Em 2012, Waleed Abdullah (guarda-redes do Al-Shabab FC) foi obrigado por um árbitro a cortar o cabelo antes de entrar em campo (sim, em pleno estádio, à frente de toda a gente). Usava o tal estilo “qaza”.

Agora, foi oficializada uma lei (para evitar casos como o de Abdullah) que, caso não seja cumprida, sujeita os jogadores a uma multa ou – em último caso – a uma suspensão.

Mas claro que há exceções. E Omar Abdulrahman, jogador da primeira liga dos Emirados Árabes Unidos, sabe disso melhor que ninguém. Segundo o desportivo Ahdaaf, o atleta foi isento desta lei (ao contrário de outros jogadores com cortes de cabelo semelhantes).

Uma questão se impõe: será que o facto de o avançado ter sido jogador do ano da Ásia em 2016 teve alguma coisa a ver com tal privilégio? Pois.