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Futebolistas têm risco elevado de demência na velhice, diz estudo

O principal fator serão os cabeceamentos. Nas crianças, recomenda-se uma proibição total. “Os nossos resultados sugerem uma relação potencial entre jogar futebol e o desenvolvimento de patologias degenerativas no cérebro após a morte”, diz Helen Ling, do Instituto de Neurologia do University College London, onde se realizou o estudo

Luís M. Faria

CARLO HERMANN

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Um estudo realizado no Reino Unido mostrou que os futebolistas têm um risco mais elevado de demência na velhice. Não sendo ao nível dos pugilistas, é suficientemente alto para justificar alarme. E vem confirmar as suspeitas que já no ano passado tinham levado a um apelo para que crianças com menos de dez anos não possam fazer cabeceamentos quando jogam futebol.

O estudo baseia-se em dados relativos a 14 futebolistas reformados, 13 profissionais e um amador. Seis deles tinham Alzheimer. Os cérebros de outros quatro, examinados após a morte, revelaram encefalopatia traumática crónica, uma condição que frequentemente provoca demência. Tal como nos pugilistas (e nos jogadores de râguebi), a causa serão lesões sofridas na cabeça durante os jogos.

Para os futebolistas, o fator principal são os cabeceamentos. "Os nossos resultados sugerem uma relação potencial entre jogar futebol e o desenvolvimento de patologias degenerativas no cérebro", diz Helen Ling, do Instituto de Neurologia do University College London, onde se realizou o estudo.

A Associação Profissional de Futebolistas, que representa os jogadores, acolheu bem o estudo e comprometeu-se a financiar investigações futuras, em colaboração com a federação de futebol, a fim de compreender se os futebolistas "sofrem desproporcionalmente do surgimento de demência".

Em anos recentes, o problema ganhou visibilidade com a divulgação do atual estado de saúde de antigas estrelas de futebol. Dos nove membros ainda vivos da seleção britânica que venceu o Mundial de 1966, por exemplo, três sofrem de Alzheimer.