Tribuna Expresso

Perfil

Futebol internacional

UEFA teme que Messi e Neymar possam ser impedidos de jogar em Inglaterra. A culpa é do Brexit

Presidente da UEFA teme que a saída do Reino Unido da União Europeia faça com que jogadores com problemas judiciais não consigam entrar no país para competições continentais

Evandro Furoni

Alex Caparros/Getty

Partilhar

O Barcelona viaja para a final da Liga dos Campeões deste ano com dois ausentes. Messi e Neymar não puderam embarcar, não por causa uma lesão ou porque estão suspensos, mas porque não tiveram os seus vistos aprovados.

O cenário é hipotético, mas Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, teme que se torne realidade no futuro com o Brexit.

Em entrevista ao jornal norte-americano "The New York Times", Ceferin admitiu que teme que casos como o representado se tornem frequentes com a saída do Reino Unido da União Europeia.

"Neymar e Messi possuem processos contra eles em andamento. Este ano, a final da Liga dos Campeões é em Cardiff. Imagine se eles não os deixarem entrar? Isto é um grande problema para nós", afirmou Ceferin.

Os jogadores do Barcelona respodem na Justiça espanhola por crimes de evasão fiscal.

Um "problema sério" chamado Brexit

O comentário foi motivado por um caso semelhante ocorrido em novembro. O lateral do Paris Saint-Germain Serge Aurier teve o seu visto reprovado por autoridades britânicas por causa de uma acusação de agressão. O jogador não pode enfrentar o Arsenal na Liga dos Campeões.

"Fiquei muito desapontado quando Aurier, do PSG, não pôde entrar em Inglaterra. Isso vai piorar com o Brexit, especialmente se as razões forem tão formais. Poderemos tem um problema sério", analisou o presidente da UEFA.

O Brexit não afetará a final da Liga dos Campeões deste ano e o Barcelona só estará nela se reverter uma derrota pesada contra o PSG (0-4), mas Ceferin teme que ele se torne um problema no Europeu de 2020, quando o torneio for disputado em Inglaterra.

Não só os atletas poderiam ter problemas para entrar no país como também os jornalistas e os adeptos. "Em 2020, se o Brexit ocorrer, pode ser um grande problema para os adeptos. Nós conversaremos com o governo britânico e tenho certeza que a Federação Inglesa irá ajudar", disse Ceferin.

Trump pode impedir Mundial nos EUA

Outra preocupação do futebol mundial é o modo como as políticas do presidente norte-americano Donald Trump irão afetar o desporto no país.

Os EUA são candidatos para sediar o Mundial de futebol de 2026, mas podem perder votos por causa das políticas contra imigrantes. "Será parte da avaliação (a restrição de imigrantes) e eu tenho certeza que não ajudará os EUA. Se jogadores não puderem entrar no país por causa de decisões políticas ou populistas, o Mundial de futebol não poderá ser disputado lá", explicou Ceferin, que também é um dos vice-presidentes da Fifa.

Uma das primeiras medidas do governo Trump foi banir a entrada de imigrantes de sete países por 90 dias. Neste cenário, países como Irão, que já participou em quatro mundiais, não poderiam entrar nos EUA para participar no torneio.

O decreto foi derrubado nos tribunais, mas o presidente promete elaborar outro para limitar a entrada de cidadãos desses sete países para dentro dos EUA.