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Sem receber salários, jogadores argentinos decidem não entrar em campo

Jogadores da Argentina decidiram entrar em greve por causa de salários em atraso. Regresso do campeonato nacional estava previsto para esta sexta-feira

Evandro Furoni

Alejandro Pagni/Getty

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Estava tudo pronto para o recomeço do Campeonato Argentino na sexta-feira. O Boca Juniors visitaria o Banfield, o River Plate receberia o Unión Santa Fé... mas faltou pagar os salários dos jogadores. O sindicato dos Jogadores de Futebol Argentinos decidiu entrar em greve e a jornada deve ser adiada.

O sindicato acusa algumas equipas de atrasarem em até quatro meses os salários de seus atletas, o que fez com que todos os jogadores se recusassem a entrar no relvado enquanto a situação não for regularizada.

"Os dirigentes irresponsáveis de inúmeras equipas que contraíram, mais uma vez, esta descomunal dívida com os jogadores, continuam com o seu desdém e indiferença, sem responder aos nossos pedidos. Com isso, seguimos firmes na decisão de não realizarmos tarefas e não participarmos de jogos oficiais em protesto à nossa causa", afirma a nota publicada pelo sindicato publicada na última segunda-feira.

O calendário argentino segue o europeu, mas o campeonato foi interrompido no fim de 2016 para as festas de fim de ano. Desde então, o regresso, previsto para o início de fevereiro, já foi remarcado três vezes por causa da guerra entre dirigentes e jogadores.

A disputa tem como pano de fundo o dinheiro recebido pelas transmissões do futebol. Desde 2009, os direitos de transmissão são comprados pelo próprio governo argentino, que disponibiliza os jogos para emissoras de alcance nacional.

O problema é que o governo do presidente Mauricio Macri desistiu de financiar o futebol argentino. Com isso, equipas da divisão principal e de acesso não conseguem adiantar cotas de televisão, manobra comum para pagar salários atrasados.

O governo terá que pagar €21 milhões à Associação de Futebol da Argentina pela rescisão do contrato. Os valores serão repassados para as equipas e os atletas exigem que sejam usados para a quitação das dívidas.

A disponibilização dos fundos foi anunciada pelo governo nesta quinta-feira. O problema é que ainda é necessário que os valores sejam transferidos para as equipas e depois para os jogadores. Não haveria tempo para tudo ser feito esta semana.

O sindicato promete que ninguém entrará em campo nas duas principais divisões do país enquanto o dinheiro não estiver na conta dos jogadores.

Já os dirigentes das equipas querem que se dispute a jornada. Após uma reunião entre equipas e o sindicato, os presidentes das equipas decidiram acionar o Ministério do Trabalho para obrigar que os jogadores aceitem um acordo. Caso o ministério dê razão às equipas, poderia haver perda de pontos por desistência de jogo.

Os jogadores argentinos tem uma longa história de greves em busca de melhores condições de trabalho e protestos políticos. Foram nove greves desde 1931. A última ocorreu em 2001, também por causa de dívidas das equipas com os jogadores.