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Cannavaro não queria ser central. Mas não teve medo de enfrentar Maradona

O capitão da Itália campeã mundial em 2006 faloy sobre o dia em que "ousou" roubar a bola de Maradona quando ainda estava na equipa de jovens do Nápoles

Evandro Furoni

Nicolas Asfouri/Getty

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Fabio Cannnavaro não queria ser central quando criança. Felizmente para o futebol, mudou de ideias.

O campeão mundial pela Itália em 2006 contou num texto feito para o site "The Players Tribune" (AQUI) que não tinha desejo de caçar os avançados rivais no relvado quando era criança. Cannavaro cresceu encantado com a Itália campeã de 1982, principalmente pelo avançado Paolo Rossi e pelo médio Marco Tardelli.

"Ainda consigo lembrar-me de Marco Tardelli a marcar um golo da entrada da área naquela final. Lembro-me da comemoração, da aparência do seu rosto após ter marcado, o modo como correu com os dois braços levantados a gritar", conta o central.

A mudança do ataque para a defesa ocorreu por ordem de um técnico ainda nos tempos das equipas de formação. O italiano jogava a médio, assim como Tardelli, mas foi recuado para a defesa ainda na equipa de jovens do Nápoles.

"Nenhuma explicação, sem motivos. Eu era mais baixo do que os outros jogadores no relvado, então eu não parecia um defensor, com certeza não um central. Mas daquele momento em diante foi a minha posição. Por sorte eu amei jogar na defesa. E fui muito bom também", escreveu Cannavaro.

O italiano de facto foi muito bom. Famoso pela técnica apurada e desarmes precisos numa posição famosa pela força física, Cannavaro divide com o também italiano Paolo Maldini a honra de serem os único centrais a terem recebido o prémio de melhor jogador do mundo pela FIFA. O premio foi conquistado no mesmo ano em que Cannavaro foi o responsável por erguer a taça do Mundial de futebol pela Itália.

Na avaliação do italiano, o que o transformou num defensor tão bom foram os adversários que teve pelo caminho. Quando ainda na equipa de jovens do Nápoles, ele teve a oportunidade de treinar com os profissionais, e ficou encarregado de marcar Diego Maradona.

Segundo o central, ninguém na equipa tirava a bola de Maradona durante os treinos, parte por respeito e parte pela genialidade do argentino, mas Cannavaro fez exatamente isso sem pensar.

"A única pessoa que estava a rir era o próprio Maradona. No fim ele andou até mim e deu-me as suas chuteiras. Eu tinha pósteres de Maradona no meu quarto – a divindade napolitana. Agora, em minhas mãos estavam as suas chuteiras, sujas de um dia de trabalho", relembra o jogador.

Cannavaro ainda coloca o brasileiro Ronaldo, o francês Zinedine Zidane e os italianos Andrea Pirlo e Francesco Totti como os grandes adversários que teve durante a carreira.

Técnico na China

O italiano também comentou como é a vida como treinador do Tianjin Quanjian, equipa do futebol chinês. Cannavaro avalia que é necessário um esforço ainda maior para ter sucesso do lado de fora do relvado.

"Eu tenho que dar tudo o que tenho todos os dias, todas as semanas. Eu tenho que saber quais problemas familiares alguém está a ter, quem é tímido ou não conversa muito e a quem posso cobrar mais", explica o agora treinador.

"Agora tente isso com 25 jogadores diferentes e via um tradutor", brinca.