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Infantino prometeu mudar a FIFA, mas (ainda) não conquistou a confiança dos adeptos

Pesquisa feita pela organização Transparência Internacional mostra que os adeptos ainda não acreditam que a entidade tenha deixado de ser corrupta

Evandro Furoni

Michael Buholzer/Getty

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Um ano após assumir o posto de presidente da FIFA, Gianni Infantino ainda tem muito trabalho a fazer. Uma pesquisa feita pela fundação Transparência Internacional mostra que a maior parte dos adeptos não acredita que a entidade que comanda o futebol mundial seja honesta.

A pesquisa mostrou que 53% dos adeptos não confiam na FIFA, enquanto apenas 25% acreditam que Infantino tenha melhorado a entidade.

O trabalho da Transparência Internacional, feito em parceria com a plataforma "Forza Football", teve a participação de 25 mil adeptos de 50 países.

A FIFA tenta sair da maior crise de sua história desde que uma investigação do FBI prendeu 18 pessoas suspeitas de corrupção relacionada com o futebol. Na maioria, os acusados eram de cargos de alto escalão de federações continentais e da própria FIFA.

Sete membros da entidade foram presos em 2015 na Suíça enquanto se preparavam para a eleição para presidente da FIFA, realizada dois dias depois.

Infantino assumiu a FIFA em fevereiro de 2016 no lugar de Joseph Blatter, que renunciou ao cargo de presidente e depois foi banido por oito anos por suspeitas de corrupção.

O italiano deu início um grande projeto de reforma no órgão máximo do futebol mundial. Entre as principais mudanças feitas estão o aumento do Mundial de 32 equipas para 48 a partir de 2026, aumento da quantia dada para federações locais para o desenvolvimento do futebol e ações contra os políticos acusados de corrupção.

Numa carta pública em comemoração do seu primeiro ano de gestão, o presidente da FIFA admitiu que ainda não reconquistou os adeptos e anunciou que a entidade terá como foco o desenvolvimento do futebol e maior controle sobre como as federações locais utilizam o dinheiro que recebem da FIFA.

A Transparência Internacional defende que a única forma da confiança ser retomada é se estas medidas forem aplicadas por uma empresa independente, sem laço algum com a FIFA.

Adeptos também rejeitam a Rússia

A pesquisa também mostra que os adeptos não estão felizes com a escolha da Rússia como sede do Mundial de 2018. Ao todo, 43% dos votantes disseram que não aprovam a escolha da nação como sede, enquanto 39% dos adeptos estão felizes com a escolha. Entre os próprio russos, o índice de aprovação é de 89%.

A escolha da Rússia e o Qatar como sedes dos dois próximos Mundiais estiveram no centro dos escândalos de corrupção de 2015. Há suspeitas de subornos para que os países fossem eleitos para os Mundiais de 2018 e 2022, respetivamente.

Preocupações sobre a falta de respeito relativamente aos direitos humanos, restrições da liberdade de imprensa e suspeitas de trabalho escravo nas obras dos estádios no Qatar causam rejeição dos adeptos em relação aos palcos dos próximos Mundiais.

Apesar disso, a maior preocupação dos adeptos dentro do futebol é com resultados arranjados. A pesquisa mostra que 66% das pessoas coloca isto como a área que mais temem no desporto. Apenas 29% colocam abusos contra os direitos humanos como maior preocupação.