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Filho de Escobar diz que o pai nunca investiu no futebol: “Não lhe interessavam negócios lícitos”

Não acredite em tudo o que vê nas séries (neste caso, "Narcos"): o filho do maior narcotraficante da década de 80 revela que o pai era adepto do Independiente de Medellín e nunca tentou ajudar as equipas da Colômbia

Evandro Furoni

STF7Getty

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Futebol e narcotráfico são dois elementos que muitas vezes estão relacionados na Colômbia. Quando o futebol da nação sul-americana se tornou uma potência no continente, havia suspeitas de que Pablo Escobar, o maior narcotraficante da década de 80, era secretamente o financiador do Atlético Nacional de Medellín.

Contudo, o seu filho, Juan Pablo Escobar, defende que o pai só acompanhava o futebol pelas tribunas. "Ele não tinha interesse algum no futebol além de ser um adepto. Ao meu pai não interessavam negócios lícitos. Apenas os mais sujos, aqueles que produziam mais dinheiro", disse o filho do narcotraficante em entrevista para a rádio espanhola "Onda Cero".

O Atlético de Medellin tornou-se a primeira equipa colombiana a conquistar a Libertadores da América, em 1989. As suspeitas são de que assim como os narcotraficantes da cidade de Cali financiavam o América de Cali, cinco vezes campeão nacional e por três vezes finalista da Libertadores, Escobar atuava como finaciador da grande equipa de sua cidade.

Juan afirma ainda que, ao contrário do mostrado na série "Narcos", Pablo não era adepto do Nacional, mas sim do Independiente de Medellín. O filho do narcotraficante ainda defende que o seu pai nunca participou na compra de árbitros ou de outras equipas para beneficiar os clubes locais.

"A partida acabava quando a equipa do meu pai estava a ganhar"

Se não é possível saber se Escobar investiu no futebol profissional, é facto que influenciou o crescimento do futebol colombiano. O narcotraficante investiu nas comunidades mais pobres da Colômbia como arma política. Entre as medidas estava a de construir diversos relvados para os miúdos jogarem futebol.

Dali saíram muitos dos jogadores que defenderiam a seleção colombiana nos mundiais de 1990 e 1994. Não era incomum que estrelas do país, como o médio Valderrama, visitassem a casa de Escobar para partidas amigáveis. "Eles apenas jogavam futebol nestes eventos. E a partida acabava quando a equipa do meu pai estava a ganhar", contou Juan.

Futebol e narcotráfico possuem ainda mais uma relação trágica na Colômbia. Andrés Escobar, central que marcou o autogolo que eliminou a equipa colombiana do Mundial de 94, foi morto meses depois do torneio. Suspeita-se que o assassínio foi cometido por máfias de apostas frustradas com o desempenho da Colômbia nos EUA.

Juan Pablo Escobar viaja o mundo para dar voz às vítimas dos crimes de seu pai. Ele lançou este ano o livro "Pablo Escobar: o que o meu pai nunca me contou".

"Seria muito mais fácil se o meu pai tivesse sido um grande jogador e lembrado pelos golos que fez", comentou Juan sobre as dificuldades de contar a história do pai.

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