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Para combater discriminação, equipa brasileira usa nas camisolas números da violência de género

Cruzeiro colocou nas costas dos jogadores números que mostram os motivos pelos quais o Brasil é apenas o 79º no ranking mundial de igualdade de género

Evandro Furoni

D.R

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O lateral Ezequiel vestiu a camisola número 2 da equipa brasileira do Cruzeiro, assim como uma mulher é morta no Brasil a cada duas horas. O armador Alisson usou a 11, exatamente o número de minutos que demora para uma mulher ser violada no país.

Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a equipa de Minas Gerais não deu flores nem parabéns, apenas colocou nas costas dos seus jogadores os números que fazem este dia ser tão necessário.

"Em pleno século XXI, não é tolerável ver as mulheres sofrerem atos de violência e discriminação. Com esta ação, juntamo-nos a todos os que combatem as desigualdades contra pessoas do sexo feminino. Esse é um dos papéis sociais que os clubes com muitos adeptos precisam sempre desenvolver", explicou o presidente da equipa, Gilvan de Pinho Tavares.

Entre os números, encontram-se a posição do Brasil no ranking de feminicídio (5º), o número de mulheres nas Câmaras Baixas (nove para cada cem políticos) e o número de jovens que já sofreram assédio (oito em cada dez).

D.R

As camisolas foram utilizada na partida contra o Murici, válida para a Taça do Brasil. O Cruzeiro venceu o rival de Alagoas por 2-0, golos de Manoel e Ábila.

O Brasil está atualmente na 79ª posição do ranking mundial de igualdade de género, elaborado pelo Fórum Económico Mundial. Em comparação com outros grandes países da América do Sul, o Brasil fica à frente apenas do Uruguai.

"O Dia Internacional da Mulher não é um momento apenas de trazer à tona toda a característica de desigualdade que ainda existe no Brasil e no mundo, mas também é um momento de conscientização de outros aspetos relacionados à mulher", destacou o presidente da equipa brasileira.

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