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Passou seis anos preso por homicídio. Demorou menos de um mês para assinar com uma equipa

Bruno está em liberdade provisória após ter sido sentenciado a 22 anos de prisão por homicídio. Equipa do Boa Esporte decidiu contratá-lo mesmo assim... e já perdeu patrocinadores

Evandro Furoni

D.R

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O guarda-redes Bruno Fernandes de Souza passou mais de seis anos preso, acusado de matar uma mulher. Libertado provisoriamente da prisão, demorou menos de um mês para conseguir emprego. O futebolista foi contratado pelo Boa Esporte.

Mas a contratação do guarda-redes acusado não agradou nem a adeptos nem a patrocinadores. Cinco empresas já rescindiram os contratos que tinham com a equipa do interior do Estado de Minas Gerais e um grupo de adeptos fez um abaixo-assinado contra a contratação do guarda-redes.

Bruno foi preso preventivamente em 2010 como suspeito do assassinato de Eliza Samudio. A modelo era mãe de um filho do guarda-redes fora do casamento e ameaçou ir aos tribunais para ele reconhecer a paternidade da criança.

Eliza desapareceu em 2010 e presume-se que esteja morta. Em 2013, o jogador recebeu a sentença de 22 anos pelo homicídio e ocultação do cadáver da amante

Ele saiu em liberdade no dia 24 de fevereiro. Bruno terá o seu julgamento revisto pela justiça brasileira, o que fez com que ele conseguisse que fosse aceite um habeas corpus.

No dia 10 de março, a equipa mineira confirmou que contrataria o guarda-redes e o contrato com o Boa Esporte causou revolta no Brasil. O website da equipa foi invadido após o anúncio do reforço. Ao invés de informações sobre o clube, ele questionava se os parceiros da equipa apoiariam a iniciativa.

D.R

Na visão do presidente da equipa brasileira, os ganhos com a vinda do guarda-redes superam as perdas com as críticas.

Antes de ser preso, Bruno era um dos principais atletas da posição no Brasil. Titular do Flamengo, era cogitado na seleção brasileira. Além disso, a maior exposição na televisão parece atrair novas empresas.

"Não fomos ainda notificados [sobre a saída de patrocinadores]. Mas estão a chegar outros patrocinadores e até quinta ou sexta anunciaremos um novo patrocinador master [no centro da camisola]", disse Rone Moraes, presidente do Boa Esporte.

O Boa é considerado um clube de pequena expressão no Brasil. Da cidade de Varginha, no interior de Minas Gerais, a equipa tornou-se profissional apenas em 1998 e nunca jogou na elite do Campeonato Brasileiro. Foi campeã da terceira divisão em 2016 e projeta jogar na primeira divisão em 2018.

A conferência de apresentação de Bruno decorreu nesta terça-feira. A direção do clube informou que a entrevista seria imediatamente encerrada caso fosse feita alguma pergunta sobre o crime do qual Bruno é acusado.

"Estou muito feliz pela oportunidade dada. As pessoas cobram muito pelo que aconteceu no passado. O Boa está abrindo as portas para mim, é uma oportunidade dada, estou muito feliz", disse Bruno.

Perguntado se seria correto um pai levar o filho para vê-lo jogar, Bruno preferiu não responder.