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Tatuado, satírico, com jeito para os mercados: assim é Paul Baccaglini, o novo presidente do Palermo

Até há poucas semanas, o excêntrico italo-americano de 33 anos era mais conhecido pelas suas passagens pela televisão e por ter criado um partido satírico, o Lemon Party. Mas nos intervalos das piadas, Baccaglini ia estudando os mercados financeiros. Agora comprou o Palermo através de um fundo, o Integritas Capital

Lídia Paralta Gomes

Tullio M. Puglia/Getty

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São “mais de 40 e menos de 60”. Tatuagens. Espalhadas por todo o corpo. São tantas que Paul Baccaglini, o novo presidente do Palermo, já lhes perdeu a conta. O italo-americano não será o único presidente tatuado da história do futebol, mas será, seguramente, o que terá mais rabiscos pela pele, aquela coisa que “o Senhor nos deu para cobrir”, palavras do próprio.

A última das quais é um escudo do Palermo, que tatuou mesmo por cima do coração e que mostrou com orgulho aos jornalistas durante a conferência de imprensa que oficializou a sua chegada ao clube siciliano, onde substituirá outro presidente que tem muito que se lhe diga, Maurizio Zamparini.

Até há poucas semanas, Paul Baccaglini, rapaz de 33 anos, filho de mãe italiana e pai norte-americano, era conhecido pelo seu passado enquanto apresentador de televisão, nomeadamente do programa “Le iene” (“As hienas”, em português), dedicado à sátira política e social, que ganhou fama por “incomodar” muitas figuras públicas e que chegou a ter uma versão portuguesa (“Caia quem caia”, transmitido pela TVI). Antes, tinha passado por rádios e pela MTV.

Além disso, Baccaglini, que se caracteriza como “uma pessoa sem cérebro”, fundou no final da década passada o “Lemon party” (“Partido Limão”), um partido também ele satírico e que tinha como lema e programa político “limonare, limonare e limonare ancora” - para lá da óbvia parecença com a palavra ‘limão’, limonare é um verbo informal que em Itália define aqueles carinhos dengosos que os casais apaixonados dão, nomeadamente quando estão no cinema a ver um filme. True story.

E as fotos que fez para divulgar o partido são, digamos, bastante sugestivas.

TADDEI BRUNO

A verdade é que enquanto se dedicava a fazer macacadas com piada, Paul Baccaglini foi estudando (e tatuando-se), ganhando interesse e jeito para mexer com os mercados financeiros. E depois de uma primeira incursão bem sucedida pelo mundo dos fundos, em 2015 fundou com dois parceiros o Integritas Capital, fundo de investimento com que comprou o Palermo. Nada mau para uma pessoa sem cérebro.

A imprensa italiana vai falando do que parece ser “uma piada de televisão”, uma “brincadeira bem feita para as câmaras” ou “algo que só podia acontecer em Palermo”. Parecendo que não, o seu antecessor também fica na história como um verdadeiro excêntrico. Maurizio Zamparini, de 75 anos, é uma autêntica debulhadora de treinadores: desde 2002 promoveu 39 mudanças na equipa técnica, três das quais só nesta temporada. O que nem é nada de especial, tendo em consideração que só na última época o Palermo teve 8 (!) treinadores.

Por outro lado, foi no reinado de Zamparini que passaram pelo clube jogadores como Javier Pastore, Edinson Cavani ou Paulo Dybala, todos vendidos a peso de ouro depois de brilharem na Sicília.

Baccaglini com Zamparini na conferência de apresentação do novo presidente

Baccaglini com Zamparini na conferência de apresentação do novo presidente

Tullio M. Puglia/Getty

Porém, os tempos atuais são difíceis. O Palermo é antepenúltimo na Serie A, já a 7 pontos do primeiro clube fora dos lugares de despromoção. Assim, os planos mais urgentes de Paul Baccaglini passam por manter o clube na principal divisão do futebol italiano e construir um novo estádio e centro de estágio.

Mas as ambições do italo-americano são bem maiores e quem o diz é o próprio Zamparini, que ficará na estrutura como consultor, até porque Baccaglini não é exatamente um expert em bola. “Ele quer levar o Palermo à Europa e à Liga dos Campeões”, diz o agora ex-presidente. “Vai ser um presidente importante: é uma pessoa muito inteligente e que sabe o que é o espectáculo”.

Lá espectáculo ele sabe dar.

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