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A culpa do impeachment de Dilma é da Alemanha. É mais ou menos isto

Derrota brasileira contra a Alemanha no Mundial 2014 contribuiu para a saída de Dilma Rousseff do poder, afirma dupla de economistas

Evandro Furoni

Felipe Dana/Pool/Getty Images

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Os últimos anos não foram fáceis para o Brasil. Nos relvados, a equipa pentacampeã mundial sofreu a derrota mais humilhante da sua história dentro da sua própria casa no Mundial de 2014. Fora deles, a crise econômica e política colocam o país em um futuro incerto depois de ter sido apontado como um dos mais promissores na primeira década do século XXI.

Para dois economistas, a crise da bola influenciou a crise política, mais especificamente, influenciou a destituição da Presidente Dilma Roussef.

Os economistas Eduardo Zilberman e Carlos Carvalho afirmam que a derrota da seleção brasileira por 7-1 com a Alemanha nas meias-finais do Mundial de 2014 potenciaram a desconfiança do mercado financeiro com Rouseff, o que aprofundou a crise brasileira.

“A nossa hipótese é que já existia uma insatisfação latente com o governo que o 7x1 fez aflorar, e o mercado financeiro notou isso”, diz Zilberman em entrevista para o jornal Folha de S.Paulo.

As ideias dos economistas foram publicadas no trabalho “Alemanha 7-1 Brasil: um choque político”.

A crise política brasileira já dava sinais de intensificação em 2013, ano das primeiras grandes manifestações populares contra o governo. Os estádios de futebol construídos ou reformados para o Mundial de 2014 foram os maiores alvos da população. Eles tornaram-se o símbolo da relação promiscua entre políticos e construtoras, ainda mais evidente com a Operação Lava Jato.

Para Zilberman e Carvalho, os golos de Müller, Klose, Kroos , Khedira e Schürrle pioraram este sentimento. Exemplo disso é que Roussef, ampla favorita à reeleição naquele ano, venceu por margem mínima o rival Aécio Neves.

Os economistas compararam a cronologia de eventos daquela eleição com o movimento da Bolsa de Valores brasileira, e viram que o impacto do 7-1 foi semelhante ao resultado apertado nas urnas para o mercado financeiro.

A crise económica e política piorou no início do segundo mandato de Roussef. Ela sofreu um impeachment em 2016 por ter adotado práticas fiscais consideradas ilegais.

O massacre sofrido pela Alemanha de facto entrou no léxico politico brasileiro com o agravamento da crise. Durante os protestos políticos de 2015 e 2016, eram comum expressões como “7-1 foi pouco”, como menção às desigualdades sociais do país, ou “cada dia um 7-1 diferente”, sobre as notícias diárias de corrupção política.

Após o Mundial de 1950, presidente preferiu morrer a sair

Além do mercado, a história também mostra que talvez os membros do Executivo brasileiro devem pensar duas vezes antes de sonhar em fazer o país a casa de um terceiro Mundial.

Getúlio Vargas assumiu a presidência brasileira um ano depois de a seleção perder o Mundial de 1950 em pleno Maracanã. Vargas sofreu forte pressão política para renunciar, mas preferiu suicidar-se a abrir mão do poder em 1954.

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