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A Argentina não ganha e vai para o sexto selecionador em sete anos

A Associação de Futebol da Argentina anunciou a saída de Baúza e Jorge Sampaoli pode ser o sucessor

Patrícia Gouveia

Edgardo Bauza foi despedido do comando técnico da Argentina.

EITAN ABRAMOVICH

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Uma Páscoa amarga para Edgardo Bauza. 'El Páton' já não é o selecionador da Argentina, segundo o comunicado oficial tornado público ontem pela Associação de Futebol da Argentina (AFA).

“Informamos que o Bauza não é mais o treinador da seleção. Na terça-feira, às 19h30, haverá uma conferência de imprensa em Ezeiza”, afirmou Claudio Tapia, o novo presidente da AFA, ao site Olé.

A rescisão contratual será assinada esta terça-feira e a conferência de imprensa procurará explicar os motivos do despedimento e os novos rumos dos argentinos a partir de agora. Rumo que pode passar por Jorge Sampaoli, ele que é apontado como o favorito a comandar a formação 'alviceleste'.

Jorge Sampaoli, treinador do Sevilla e apontando como sucessor de Edgardo Bauza

Jorge Sampaoli, treinador do Sevilla e apontando como sucessor de Edgardo Bauza

Gonzalo Arroyo Moreno

Sampaoli é técnico do Sevilla e comandou a seleção do Chile bicampeã da Copa América, mas não é o único potencial sucessor. Diego Simeone, treinador do Atlético de Madrid também está no radar.

Edgardo Bauza assumiu o comando técnico da Argentina em Agosto de 2016. Dos oito compromissos nas eliminatórias sul-americanas de qualificação para o Mundial 2018, Bauza conseguiu três vitórias, dois empates e três derrotas, deixando a Argentina na quinta posição na classificação. Com apenas mais dois pontos a mais do que o Equador e a quatro jornadas do final, os Argentinos correm sérios riscos de ficar de fora do Mundial na Rússia.

Seja quem for o próximo treinador, a equipa argentina terá quatro jogos decisivos para poder marcar presença no Mundial: contra o Uruguai, fora de casa, contra a Venezuela e o Peru, em solo argentino, e contra Equador, fora também.

As mudanças

A cadeira de selecionador da Argentina é um lugar que não se mantém quente por muito tempo. Desde 2010, a formação 'alviceleste' teve cinco treinadores – Maradona, Sergio Batista, Alejandro Sabella, Tata Martino e... Edgardo Bauza. Um lugar instável para uma equipa que precisa seriamente de pontuar nas eliminatórias sul-americanas.

Vicent del Bosque, treinador da Espanha de 2008 a 2016.

Vicent del Bosque, treinador da Espanha de 2008 a 2016.

PHILIPPE DESMAZES

Parte do insucesso da Argentina pode passar realmente pela falta de estabilidade no posto daquele que tem o trabalho de comandar a equipa e pela ausência de um trabalho contínuo que permita aos jogadores assimilarem as ideias de um técnico.

Vejamos os casos dos últimos campões europeus e mundiais desde 2010. Comecemos pela seleção campeã do Mundo em 2010. Nuestros hermanos, a Espanha. Vicente del Bosque chegou ao cargo de selecionador espanhol em 2008, agarrando uma equipa que nesse ano tinha sido campeã europeia com Luis Aragonés. Conseguiu o feito de levar a Espanha a campeã do Mundial dois anos depois e em 2012 ganhou o Europeu. Saiu no ano passado, dando lugar a Julen Lopetegui.

Por terras germânicas, estabilidade é a palavra de ouro, uma vez que Joachim Low é o comandante da frota alemã desde 2006 e pelo meio destronou a Espanha, levando a Alemanha a sagrar-se campeã do Mundo em 2014.

Fernando Santos, selecionador português desde 2014.

Fernando Santos, selecionador português desde 2014.

PATRICIA DE MELO MOREIRA

E por fim, os mais recentes campeões. Desde 2010, Portugal teve três treinadores. Paulo Bento que substituiu Carlos Queiroz e o engenheiro do Euro 2016, Fernando Santos que chegou à seleção em 2014.

Três casos de campeões que pautam pela procura de estabilidade na equipa, ao contrário da Argentina.

Outra razão poderá ter a ver com a constante mudança nas convocatórias dos alvicelestes e até o rendimento abaixo das expectativas das principais figuras da seleção como Messi, Aguero ou Di Maria. Lionel Messi que nem estará em campo nos próximos três jogos da Argentina, após ter sido suspenso por quatro encontros por alegados insultos a um árbitro auxiliar.

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