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Tony Adams, why you?

O ex-jogador inglês foi anunciado ontem como novo treinador do Granada. Conheça os possíveis porquês desta contratação inesperada do clube em risco de descer de divisão

Sónia Santos Costa

Dave Thompson

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Depois de Lucas Alcaraz ter sido oficialmente destituído esta segunda-feira do papel de treinador do Granada, Tony Adams chegou em força e as suas declarações fizeram correr tinta (tal como o fato aos quadrados em vários azul-bebé que usou para a apresentação).

Tony Adams chegou para ficar - pelo menos durante os sete jogos que faltam até ao final da Liga. “Com os meus 40 anos de experiência, cheguei para dar um pontapé no cu dos futebolistas e ganhar os próximos sete jogos”, atirou, confiante, durante a conferência de imprensa.

Afirma que o plantel do Granada é jovem e que, por isso, necessita de um treinador com perfil de líder. “A fórmula para conseguirmos o objetivo é treinar e treinar, até sermos uma equipa mais dura. Vou até ao fim pelo Granada e motivar a equipa para atingir o objetivo””.

Adams foi apontado como novo treinador pelo dono do clube, o chinês Jiang Lizhang. Apesar da ambição, o antigo jogador do Arsenal está ciente da árdua tarefa que tem em mãos: impedir que a equipa desça de divisão.

Mas porquê o Tony, Jiang Lizhang?

A estranheza da sua contratação está relacionada com as suas anteriores experiências não-tão-felizes enquanto técnico. Adams arrumou as chuteiras em Agosto de 2002, depois de vencer quatro campeonatos e três taças de Inglaterra pelo Arsenal. Estreou-se enquanto técnico pelo Wycombe Wanderers – corria 2003– e rumou a Portsmouth em 2008, de onde saiu em Fevereiro do ano seguinte. O seu último posto foi no Azerbaijão, em 2011, onde dirigiu o Gabala FC.

Mas Tony era conselheiro dos proprietários chineses do Granada – a DDMC – , e a confiança que estes depositam nele acabou por transformá-lo no escolhido para substituir Lucas Alcaraz e tentar salvar a equipa da descida de divisão.

630 minutos? ¡Dale!

Sejamos realistas, nem o angelical fato de Adams convence os adeptos de que o céu é o limite para a equipa, a esta altura do campeonato. A verdade é que as chances do clube de não acabar relegado para a segunda divisão são muito baixas.

A derrota de domingo frente ao Valencia deixa os nazaríes a oito pontos do patamar de segurança, com apenas sete jogos pela frente. Fazendo contas, o Granada terá de sair vencedor de, pelo menos, quatro desses sete jogos. Tendo em conta que entre os adversários estão nomes como Real Madrid, Sevilla e Malaga, parece uma tarefa quase hercúlea - mesmo que o Espanyol e Osasuna, que também vão defrontar, pareçam alvos mais possíveis de abater.

O próximo domingo é uma prova de fogo para o recém-chegado dirigente - há jogo em casa contra o Celta de Vigo.

A equipa galega está a focar as energias na Liga Europa e a visita a Granada acontece entre os dois encontros frente ao Genk para os quartos-de-final. O treinador, de 50 anos, tem grandes hipóteses de encontrar um Celta de Vigo a jogar com a equipa de reserva - um ponto a seu favor e uma oportunidade de entrar com o pé direito nesta nova função.

Sete jogos, só?

Adams pode não ter mesmo tempo para aquecer o banco no Granada. Na verdade, a estrutura do clube espanhol já tinha sido criticada por este em entrevistas anteriores As suas funções enquanto treinador da equipa estão previstas como uma situação temporária - enquanto esta não fizer planos a longo prazo, para a próxima época.

No entanto, nunca se sabe. A sua relação com o dono do clube, Jiang Lizhang, é próspera, e um convite de permanência pode surgir - caso o britânico mostre, nestes sete jogos, que é o homem perfeito para conduzir os nazaríes de volta aos trilhos - nem que seja ao pontapé.

Mas onde é que nós já vimos isto?

Devem os adeptos do Granada preparar-se psicologicamente para aquilo a que chamamos um “Gary Neville no Valencia 2.0”?

O ex-jogador britânico, companheiro de equipa de Tony Adams, teve um contrato de cinco meses com o Valencia e uma saída envolta em polémica. Quando Neville chegou ao clube espanhol, este estava em crise - em nono lugar, a cinco pontos de sonhar com um lugar na Champions.

No entanto, chamar a isso crise era ser amigo. Agora sim, habemus crise! Fora da Champions, da Liga Europa, da Copa do Rei. Um rasto de destruição assinado pelo britânico, que os adeptos tentaram expulsar à força por várias vezes. E que, eventualmente, conseguiram.

A verdade é que as situações de ambos e as ocasiões das suas chegadas aos clubes têm semelhanças, mas não julguemos Tony de avanço pelos falhanços do seu compatriota!